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17/10/2014 02:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

O que você precisa saber sobre a relação de Aécio Neves com a imprensa mineira e a 'blindagem' denunciada pelo PT (VÍDEOS)

Montagem/Estadão Conteúdo

Em sua estratégia de desconstrução do senador Aécio Neves (PSDB), a campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) vem tentando colar no tucano a imagem de censor.

Nesta semana, a propaganda eleitoral de Dilma na TV denunciou que Aécio "levou a imprensa com mão de ferro" enquanto era governador de Minas Gerais, de 2003 a 2010.

A campanha do PT, partido que defende a regulação da mídia e o controle de "abusos dos grandes veículos", afirma que o tucano processou grupos de comunicação de Minas e jornalistas críticos à administração dele.

"A história do aeroporto de Cláudio [construído com recursos públicos em terreno que era do tio-avô de Aécio], nós sabíamos disso. Mas a gente nunca pôde publicar", disse na propaganda a ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais Eneida da Costa. O caso foi revelado em julho deste ano pelo jornal Folha de S. Paulo.

Censura?

Na quarta-feira (15), Dilma citou o suposto cerco à imprensa em Minas. Ela rebateu Aécio, que a acusou de mentir sobre números do governo dele no estado.

"Eu quero que o candidato prove onde estão as mentiras", exigiu Dilma. "O candidato de fato não está acostumado a receber críticas porque ele, muitas vezes como vocês mesmos divulgam, tinha uma certa blindagem quando foi governador de Minas Gerais", provocou.

Essa blindagem é denunciada pelo bloco Minas Sem Censura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O grupo é formado por deputados estaduais do PT, PMDB e PRB.

O site do bloco publicou um manifesto dos jornalistas mineiros sobre o cerceamento à imprensa no estado.

As supostas práticas de censura também foram denunciadas em dois documentários: Liberdade, essa palavra, de Marcelo Baêta, e Gagged in Brazil (Censurados no Brasil), de Daniel Florêncio, gravado em inglês, que pode ser visto a seguir:


Só elogios

Esse vídeo foi rodado por Daniel Florêncio para a Current TV, um canal independente internacional, em 2008.

O documentário denuncia que notícias negativas sobre o então governador Aécio Neves eram vetadas pela imprensa mineira.

Como exemplo, o diretor mostra um artigo de 2007 do jornal francês Le Monde, que fez um perfil com elogios e críticas sobre Aécio. O noticioso também abordou denúncias de censura no estado.

O texto teve repercussão na imprensa de Minas, que teria contemplado apenas o lado positivo.

"Expurgaram todas as críticas. O artigo do jornal Le monde aceitou o debate político, o que o governador dizia e o contraditório oferecido por mim. Foi isso que foi expurgado. A imprensa mineira e nacional não quer o debate político"
Fernando Massote, cientista político e professor aposentado pela UFMG

O vídeo também apresenta trechos de Liberdade, essa palavra, com depoimentos de jornalistas que teriam sido perseguidos ou demitidos a mando de Aécio, e uma entrevista com o diretor, Marcelo Baêta.

A irmã de Aécio, Andrea Neves, é apontada por ele como a porta-voz da censura nos veículos de comunicação.

"Nos bastidores, pairam boatos de retaliação a quem disse o que não devia. O deboche daquilo que não pode ser mostrado, pautas barradas, assuntos evitados"
Carta de um jornalista citado no documentário

O outro lado

Em 2008, a Juventude do PSDB gravou um vídeo (acima), também em inglês, para refutar todas as denúncias feitas por Gagged in Brazil.

Dois jornalistas cujos depoimentos são exibidos no documentário têm outra versão para a suposta demissão.

"Em momento algum, eu atribuí responsabilidade [pela minha demissão da TV Globo] a quem quer que fosse no governo de Minas Gerais e reitero isso aqui"
Marco Nascimento, ex-diretor de Jornalismo da TV Globo Minas

"Em primeiro lugar, nunca fui cerceado no exercício profissional em Minas, nunca fui limitado no exercício da minha profissão. Eu tenho a crença de que o governador Aécio Neves não pediu minha demissão"
Ugo Braga, ex-editor do Estado de Minas

O vídeo também sugere que houve manipulação nos dados de gastos com publicidade do governo Aécio, que teriam sido superdimensionados pelo documentário.

Além disso, em 2008, a Superintendência de Imprensa do Governo de Minas divulgou nota oficial criticando o diretor de Gagged in Brazil e refutando o conteúdo do documentário.

"Em seu trabalho veiculado na internet e fartamente distribuído por meio de e-mails de servidores gratuitos, Daniel Florêncio afirma que 'recentemente' existiram rumores de que o governador Aécio Neves 'tem suprimido a liberdade de imprensa no Estado'. Não há rumores recentes. O que existiu – e é de conhecimento de todos os profissionais de imprensa que realizaram a cobertura jornalística das eleições de 2006 - é um vídeo produzido naquele ano, lançado na internet como arma de campanha da oposição nas eleições para governador, com ampla divulgação e espaço no programa do horário eleitoral gratuito"
trecho da nota assinada por Hugo Teixeira, superintendente de Imprensa

Essa "arma de campanha da oposição" nas eleições de 2006 em Minas Gerais seria o vídeo Liberdade, essa palavra.

Hugo Teixeira, então superintendente de Imprensa do governo de Minas, desmentiu que só houvesse boas notícias sobre Aécio nos jornais mineiros. "Uma análise de conteúdo e de comparação entre a cobertura oferecida por veículos de diversos estados seria suficiente para jogar por terra a afirmação feita", escreveu.

O trecho final da nota produzida há seis anos questiona a necessidade de debater "insinuações que afetam a honra pessoal e profissional".

O governo de Minas acompanha com atenção as críticas publicadas pela imprensa, mesmo porque elas servem de balizamento para a correção de rumos na administração estadual. A relação entre veículos de imprensa e diversas instâncias de governo - municipais, estaduais ou federal - tem sido tema de importantes discussões. A internet – espaço democrático e propício ao debate - está repleta de questionamentos dessa natureza. É necessário, no entanto, discernir o legítimo e necessário debate de insinuações que afetam a honra pessoal e profissional de tantas pessoas.
trecho da nota assinada por Hugo Teixeira, superintendente de Imprensa

As conquistas de Aécio Neves