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17/10/2014 16:46 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Conheça a história de Igor Rousseff, o irmão de Dilma que nunca trabalhou com ela

Divulgação / Prefeitura de Ouro Preto

No primeiro debate entre os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), ocorrido na última terça-feira (14), uma denúncia de nepotismo, praticada pelo tucano enquanto governador de Minas Gerais, foi usada como trunfo pela petista, que afirmou, de maneira enfática, nunca ter empregado parentes no governo federal.

Nesta quinta-feira (16), porém, Aécio Neves, quando novamente foi abordado sobre o assunto, afirmou que o irmão da presidente, Igor Rousseff, trabalhou na gestão de Fernando Pimentel à frente da Prefeitura de Belo Horizonte, entre os anos de 2003 e 2008, acusando Dilma de também ter praticado nepotismo.

"O seu irmão foi nomeado pelo prefeito Fernando Pimentel no dia 20 de setembro de 2003 e nunca apareceu para trabalhar. Essa é a grande verdade. A diferença entre nós é que minha irmã trabalha muito e não recebe nada. Seu irmão recebe e não trabalha nada. Infelizmente, agora, nós sabemos porque a senhora diz que não nomeou parentes no seu governo. A senhora pediu que seus aliados o fizessem.”

De fato, Igor Rousseff trabalhou com Pimentel, no Gabinete do Prefeito, como assessor especial e também na Secretaria Municipal de Planejamento, Orçamento e Informação, novamente como assessor especial e atuou na governo de Belo Horizonte até 2009, quando deixou de exercer a função. O sucessor de Pimentel no cargo, Márcio Lacerda (PSB), ao jornal O Globo, afirmou:

"Ele foi exonerado dentro de uma medida genérica de fim de governo. A maioria dessas pessoas foi recontratada. O Igor nunca pediu para voltar."

Para Dilma, no entanto, o fato de não ter sido ela a responsável pela nomeação de seu irmão aos cargos públicos e, sobretudo, o fato de, neste período, eles terem trabalhados em esferas de poder distintas (ele na Prefeitura de Belo Horizonte, e ela no governo federal, como ministra das Minas e Energia e Chefe da Casa Civil) derrubaria a tese de nepotismo do tucano.

O que diz a lei

O embasamento da candidata à reeleição à Presidência da República se dá em duas leis que proíbem o nepotismo e são explícitas em afirmar que tal prática só se configura quando a nomeação a cargos públicos é feita por parentes, não por aliados políticos.

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São eles o decreto federal nº 7.203, que dispõe sobre a vedação do nepotismo no âmbito da administração pública federal e a 13ª Súmula Vinculante, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proíbe o nepotismo nos Três Poderes, no âmbito da União, dos estados e municípios.

A própria Constituição Federal, em seu artigo 37 aponta que a contratação de funcionários para cargos públicos devem cumprir os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

O que dizem os acusados

Em entrevista concedida ao jornal O Globo, em janeiro de 2011, Igor Rousseff foi questionado se a então recém-empossada presidente havia oferecido algum cargo a ele. A resposta: "Nem eu aceitaria! Cargo público não aceito nem de graça. Ela mostrou que é competente. Não sou tão competente. Não daria conta do recado nem numa prefeiturazinha pequenininha. Dilma sempre foi contra o nepotismo e não faria isso nunca".

Já a acusação de Aécio de que o irmão de Dilma não aparecia para trabalhar no Gabinete da Prefeitura de Fernando Pimentel foi desmentida prontamente pelo agora governador eleito de Minas Gerais, em vídeo publicado no Youtube. "O advogado Igor Rousseff ocupou o cargo de assessor especial do prefeito de Belo Horizonte durante a minha gestão na Prefeitura. Trabalhou com regularidade e eficiência, cumprindo funções junto ao gabinete do prefeito", afirmou.

Quem é Igor Rousseff?

O irmão mais velho da presidente Dilma é avesso à mídia e passou a ficar ainda mais longe dos holofotes com a ascensão de sua irmã à Presidência da República, em 2011. Advogado de formação, também estudou jornalismo, turismo e história, além de ter se aventurado nos campos da aviação e da hotelaria e atuado com consultoria jurídica e controle de patrimônio.

No campo da política, além de ter atuado na Prefeitura de Belo Horizonte com o companheiro de militância e amigo de família Fernando Pimentel, Igor também ocupou o cargo de secretário de Cultura de Ouro Preto, na gestão da prefeita Marisa Maria Xavier Sans (PDT), que governou a cidade entre 2004 e 2008.

dilma e familia

Dima, com o irmão Igor e a irmã Zana, já falecida / Acervo Pessoal

Na juventude, Igor Rousseff trilhou um caminho distinto daquele conduzido pela irmã, que escolheu a luta armada como forma de contestação à ditadura militar vigente: foi viver no Canadá e, posteriormente, nos Estados Unidos, onde travou contato com o movimentos beatnik (em declínio) e hippie (em ascensão). Ao voltar ao Brasil, iniciou os estudos em Direito, na UnB (Universidade de Brasília).

No pleito presidencial de 2010, Igor pouco deu as caras na campanha de Dilma. “Fui a três comícios da Dilma: a um, assisti de longe. Em outros dois cheguei perto. É lógico que ela me reconheceu. É minha irmã”, disse, na entrevista concedida ao Globo, em 2011. Na mesma ocasião, questionado se ficaria próximo de Dilma durante a sua gestão frente à presidência da República, Igor afirmou:

“O que vou fazer em Brasília? Vou ficar rabeando ela? Não quero atrapalhar. Gosto muito de Brasília, mas é meio fora de mão”.

Para um ex-empregador de Igor, Gabriel Guimarães, o perfil discreto do irmão de Dilma explica seu distanciamento da capital federal. "Quem não conhece o Igor não fica sabendo nunca por ele que é irmão da presidente da República. Morre de medo de pensarem que ele quer tirar proveito disso", afirmou.

Nesta longa entrevista concedida em fins de 2011, Igor Rousseff afirmou estar contando os dias para requerer sua aposentadoria do INSS, que viria no início do ano seguinte. “No dia 1º de janeiro do ano que vem sou o primeiro da fila. Dizem que não demora mais de 15 minutos para sair a aposentadoria. Quero ver! Aí vou sumir. Tem 8.500 quilômetros de praia para eu explorar”.

Se, de fato, explorou e aproveitou o litoral brasileiro, não há relatos, já que Igor se escondeu de vez nestes quatro anos que se passaram, não tendo mais seu nome ventilado na mídia. Até esta quinta-feira, no debate do SBT.