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16/10/2014 23:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Nepotismo, bafômetro e acusações: Aécio Neves e Dilma Rousseff abandonam propostas de vez no #DebateDoSBT

Montagem/Estadão Conteúdo

“Nada está tão ruim que não possa piorar”. Não sei dizer quem é o autor este conhecido ditado popular, porém ele ajuda a dar uma boa dimensão aos que aguardavam o novo encontro entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), passadas pouco menos de 48 horas do #DebateNaBand, o primeiro deste segundo turno. E quem achou que a acirrada polarização podia seguir ladeira abaixo, acertou na mosca.

O segundo debate, realizado no SBT na tarde desta quinta-feira (16), foi ainda mais quente do que a temperatura que andava na casa dos 30ºC fora do estúdio da emissora. Se você, nobre internauta, espera ler sobre as propostas que Dilma e Aécio planejam para o País, caso vençam o pleito presidencial, lamento desapontá-lo, mas a petista e o tucano abandonaram qualquer caminho nesse sentido desde o início.

Ataques pessoais e o envolvimento de parentes tomaram conta dos três blocos do encontro, o mais acirrado, quente e nervoso destas eleições – e sem exagero, da história recente dos debates eleitorais no Brasil. Provavelmente foram três os pontos chaves abordados pela presidente e pelo senador mineiro, todos com uma boa pitada de maldade e de pouca relevância para aquele eleitor ainda indeciso.

O tema nepotismo, abordado e muito explorado por Dilma na Band, voltou a aparecer. Mas desta vez Aécio parecia ter um contraponto relevante a espera da petista: o irmão dela, Igor Rousseff, que teria um cargo junto ao petista Fernando Pimentel – este eleito governador de Minas Gerais nestas eleições – e pior: receberia para não trabalhar. A questão deixou a presidente visivelmente incomodada, mas voltou a mencionar a irmã, primos e tios do tucano.

Outro destaque do debate que estava mais para “briga de condomínio” foi o incidente no qual Aécio se envolveu em 2011, quando se recusou a realizar um teste do bafômetro no Rio de Janeiro. Horas antes o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou desqualificar o tucano citando esse caso, em comício realizado no Pará. Dilma citou o tema, aumentando a maldade ao citar o quão “perigoso é dirigir bêbado e drogado”, mas sem perguntar diretamente.

O ‘tapa de pelica’ da presidente lembrou a citação da Lei Maria da Penha na Band, para trazer ao público outro evento que havia ficado no passado de Aécio (naquele caso, uma suposta agressão a uma acompanhante sua). No SBT, Aécio admitiu o erro e se desculpou, alegando que a sua carteira de habilitação estava vencida. Note que o caráter dos principais pontos até aqui citados, envolvendo familiares, nem de longe levam a uma conclusão positiva e de nível.

Se o viés adotado por ambos os candidatos era o do “quanto pior, melhor”, não faltaram acusações sobre a corrupção petista na Petrobras e no mensalão, ao passo que Dilma citou todos os escândalos recentes que podem ser atribuídos a Aécio ou ao PSDB, a saber: aeroporto de Cláudio (MG), mensalão mineiro e cartel do metrô, para ficar apenas em três. Como resposta, os candidatos chamavam as acusações do outro de mentiras. Simples assim.

Não quero ser injusto com os candidatos. Eles até tentaram, no terceiro e último bloco, uma discussão sobre temas relacionados à mobilidade urbana e segurança pública. Não funcionou. Virou, mais uma vez, o duelo entre quem fez menos em cada esfera de atuação. O descontrole que não dá a nenhum dos dois o status de ‘santo’ fez mais mal para Dilma, que acabou passando mal após o encontro.

Como ocorreu na Band, militantes de lado a lado conseguiram ver a vitória do seu candidato favorito. Certo mesmo é que o caminho escolhido por Dilma e Aécio nestes debates na TV faz do eleitor o maior e único grande perdedor. A radicalização e carnificina darão uma trégua? O terceiro e penúltimo encontro, marcado para o próximo domingo (19) na Rede Record, às 22h, nos trará essa e outras respostas. Os mais de 60 milhões que não votaram em Dilma ou Aécio no primeiro turno, pelo menos os bem intencionados, aguardam.

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