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16/10/2014 14:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:35 -02

Eleições 2014: Revista 'The Economist' diz que brasileiros deveriam 'descartar Dilma e eleger Aécio'

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A revista britânica 'The Economist', uma das mais respeitadas do mundo na cobertura de economia, mercados e notícias internacionais, dedica a capa de sua edição latino-americana desta semana à eleição presidencial brasileira.

Com o título "Por que o Brasil precisa de mudança", a edição afirma que os eleitores "deveriam descartar Dilma Rousseff e eleger Aécio Neves". A capa traz uma ilustração inspirada em Carmem Miranda, com seu tradicional arranjo de cabeça feito de frutas podres.

Logo no primeiro parágrafo, a 'Economist', tradicional defensora de ideias liberais e do papel da iniciativa privada no desenvolvimento econômico, lembra que, quando Dilma foi eleita em 2010 como sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a economia brasileira teve uma expansão de 7,5% e "o país parecia finalmente estar realizando seu grande potencial". "Mas quatro anos depois aquela promessa desapareceu. Sob a sra. Rousseff a economia empacou e o progresso social perdeu velocidade", afirma a 'Economist'.

No final de 2012, quando Dilma se aproximava da metade de seu mandato, a 'Economist' propôs a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Na ocasião, a presidente reagiu dizendo que "em hipótese alguma o governo brasileiro eleito pelo voto direto vai ser influenciado pela opinião de uma revista que não seja brasileira".

De acordo com a revista, "a maioria dos brasileiros ainda não sentiu o esfriamento da economia em suas vidas, mas em breve sentirá". Para a 'Economist', o candidato Aécio Neves (PSDB) teve dificuldades para convencer os brasileiros mais pobres de que as reformas que ele propõe serão mais benéficas do que prejudiciais a eles. "Se o Brasil quer evitar mais quatro anos à deriva, é vital que ele tenha sucesso", afirmou.

A 'Economist' cita como pontos fortes de Dilma o baixo nível de desemprego, o aumento dos salários e programas sociais bem-sucedidos. "São conquistas reais. Mas ao lado delas há fracassos maiores, embora menos palpáveis, tanto na economia quanto na política", diz a revista.

Segundo a 'Economist', falta a Dilma o "toque político de Lula e ela não mostra sinais de ter aprendido com seus erros".

A revista britânica diz que, nos últimos 12 anos, desde que o PT chegou ao poder, Lula conseguiu "'caricaturizar' o PSDB como um partido de gatos gordos sem coração." Mas, segundo a revista, as promessas de Aécio de recolocar o Brasil no rumo do crescimento econômico beneficiarão tanto os brasileiros mais pobres quanto os ricos.

"Sua história, e a de seu partido, tornam sua promessa crível", afirma a 'Economist', elogiando em seguida o Plano Real e as reformas estruturais realizadas durante o governo FHC (1995-2003) e a gestão de Aécio Neves em Minas Gerais.

Finalmente, a 'Economist' elogia "o impressionante time de consultores liderado por Armínio Fraga", já indicado por Aécio como seu eventual ministro da Fazenda.

"O Brasil precisa de crescimento e de um governo melhor. O sr. Neves tem mais condições de entregar isso do que a sra. Rousseff."

Dilma: 'Todo mundo sabe qual é a filiação desta revista'

Poucas horas depois da capa da 'Economist' ser divulgada, a presidente Dilma Rousseff comentou o editorial: "Sei qual é a filiação da 'The Economist', todo mundo sabe. Ela é uma revista muito ligada ao sistema financeiro internacional."