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10/10/2014 08:49 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Primeiro paciente com suspeita de Ebola no Brasil é transferido para Instituto Nacional de Infectologia no Rio de Janeiro

FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO

Chegou ao Rio ao amanhecer desta sexta-feira (10) o missionário de 47 anos suspeito de ter contraído o vírus Ebola em viagem à Guiné, concluída na segunda quinzena de setembro. É o primeiro caso de suspeita de Ebola no Brasil.

Com sintomas semelhantes ao da doença decorrente da infecção pelo vírus, o homem foi trazido de jatinho que pousou pouco depois das 6h30 na capital.Ele está sendo levado para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na zona norte carioca.

O pouso do jato da Força Aérea Brasileira (FAB) na Base Aérea do Galeão (Ilha do Governador) foi cercado por medidas de segurança e proteção. Na pista, esperavam o paciente uma ambulância do Corpo de Bombeiros e três profissionais de saúde, que usavam aventais e máscaras.

Inicialmente o nome do missionário não foi revelado por fontes oficiais, mas já há informações de que ele se chamaria Souleymane Bah.

De acordo com nota do Ministério da Saúde, divulgada na noite desta quinta-feira, 9, o paciente foi mantido isolado em uma instituição de saúde no município de Cascavel (a 500 km de Curitiba), a Unidade de Pronto Atendimento Brasília II. O local foi esvaziado, e os pacientes transferidos para outros hospitais. Segundo o Ministério da Saúde, o homem chegou ao Brasil em 19 de setembro vindo da Guiné, um dos três países que concentram o surto de Ebola na África, e informou ter tido febre na quarta e quinta-feira desta semana.

"Até o início da noite (quinta-feira), estava subfebril e não apresentava hemorragia, vômitos ou quaisquer outros sintomas. Está em bom estado geral e mantido em isolamento total", explicou o ministério, que não informou a nacionalidade do paciente.

"Por estar no vigésimo primeiro dia, limite máximo para o período de incubação da doença, foi considerado caso suspeito, seguindo os protocolos internacionais para a enfermidade". O paciente agora será submetido a exames para confirmar o diagnóstico.

A Guiné é um dos três países que mais registraram casos de morte pela doença no continente africano.

Segundo o G1, ele teria solicitado refúgio no Brasil. O pedido teria sido feito na delegacia da PF em Dionísio Cerqueira (SC), na fronteira com a Argentina, no dia 23 de setembro.

Organização Mundial da Saúde ainda não foi notificada

O governo brasileiro até o meio-dia do horário europeu desta sexta-feira, 10, não notificou a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o caso suspeito de Ebola, o primeiro registrado em território nacional. A entidade, em declarações ao jornal O Estado de S. Paulo, indicou que está sabendo da suspeita, mas apenas por meio de "artigos de imprensa".

"Por enquanto, não houve qualquer tipo de informação oficial para a OMS vinda das autoridades brasileiras sobre o caso suspeito de ebola", declarou Fadela Chaib, porta-voz da entidade em Genebra, ao jornalista Jamil Chade, correspondente do Estado em Genebra. Segundo ela, cerca de 50 casos suspeitos e rumores são monitorados diariamente pela OMS em Genebra.

Chaib confirmou que por enquanto o governo não passou a informação nem para a OMS e nem para a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). "Não temos nada registrado e nem na Opas", completou.

Pelos regulamentos internacionais da OMS, "cada país deve notificar, pelos meios mais eficientes de comunicação, pelo ponto focal nacional, dentro de 24 horas, todos os eventos que possam constituir uma emergência de saúde pública de preocupação internacional dentro de seu território, assim como medidas de saúde implementadas em resposta a esses eventos".

Atualizado às 9h45. Com informações da Reuters e de Estadão Conteúdo.