NOTÍCIAS
09/10/2014 12:50 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Milhares de manifestantes tomam as ruas do México em protesto contra massacre de estudantes

Reuters

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de várias cidades do México na quarta-feira (7) em protesto contra o suposto massacre de estudantes no Estado de Guerrero, sul do país.

Em um dos piores episódios da guerra às drogas, 43 alunos do magistério desapareceram no dia 26 de setembro em Iguala, a terceira maior cidade do Estado, depois de um protesto contra práticas discriminatórias na contratação de professores.

Segundo a BBC, os estudantes afirmam que embarcaram em três ônibus, enquanto os policiais afirmam que os veículos foram sequestrados. Durante a confusão, a polícia matou dois manifestantes e prendeu dezenas, levando-os em camburões.

Depois que no fim de semana foram encontrados 28 cadáveres queimados na periferia da cidade, o governador do Estado, Angel Aguirre, disse acreditar que os jovens foram mortos pela polícia em conluio com os criminosos.

Em Chilpancingo, capital de Guerrero, parentes dos jovens, colegas da escola Ayotzinapa e ativistas bloquearam a rodovia do Sol, que conduz ao famoso balneário de Acapulco, e depois acamparam no centro da cidade.

"Ayotzinapa, crime de Estado" e "Chega de violência", diziam os cartazes levados pelos manifestantes que exigiam a renúncia do governador.

Na Cidade do México e em outras cidades manifestantes repetiam slogans contra o presidente Enrique Peña Nieto, que vem sendo criticado por intervir apenas uma semana depois, quando enviou autoridades federais a Iguala.

O assunto mobilizou as redes sociais no país, e a hashtag #AyotzinapaSomosTodos ficou entre as mais usadas no México.

Segundo o Excelsior, o cartel Guerreros Unidos está envolvido no crime.

O jornal mexicano El Universal afirma que 22 policiais foram detidos acusados de envolvimento no caso. Segundo o fiscal geral do Estado, Iñaqui Blanco Cabrera, 30 pessoas já foram ligadas ao episódio, a maioria policiais municipais envolvidos com o Guerreros Unidos.

A identidade dos cadáveres ainda não foi confirmada. De acordo com Aguirre, peritos vão realizar testes para determinar se os restos mortais descobertos são dos estudantes desaparecidos.