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09/10/2014 23:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:04 -02

Cientistas mostram thriller de Hitchcock para paciente em estado vegetativo e têm uma grande surpresa

Pessoas em estado vegetativo podem ter mais consciência do que nos damos conta, revela um estranho novo estudo.

No estudo, publicado na edição de 15 de setembro do Proceedings of the National Academy of Sciences, cientistas da Universidade Western, do Canadá, compararam scans cerebrais de 12 pessoas saudáveis com o de um homem que não apresentava respostas comportamentais desde um acidente sofrido 16 anos atrás. Os scans foram realizados quando os sujeitos assistiam a um filme da Alfred Hitchcock em um aparelho de ressonância magnética, para acompanhar a atividade cerebral.

O filme, uma versão condensada de oito minutos de “Bang! You’re Dead!”, mostra um garoto de 5 anos brincando com um revólver, sem saber que se trata de uma arma de verdade, não de um brinquedo.

Depois de comparar os scans dos cérebros saudáveis com o do homem em estado vegetativo, os pesquisadores concluíram haver “fortes evidências” de que o homem tenha experiências conscientes. De fato, disse Adrian Owen, neurocientista cognitivo da universidade e um dos autores do estudo, os scans eram quase idênticos.

“O que notamos é que, em todos os momentos chave do filme, seu cérebro mudava exatamente da mesma maneira que os dos sujeitos estudados”, disse Owen à Canadian Broadcasting Corporation. “Essencialmente, estamos falando de consciência. Estávamos medindo ou detectando o fato de que esse paciente conseguia acompanhar a trama.”

Por que Hitchcock? Owen disse à revista Nature que o suspense do diretor é perfeito pois captura a atenção dos espectadores e os faz pensar – algo necessário para o estudo.

“Neste contexto, o motivo pelo qual Alfred Hitchcock é um cineasta tão bom tem a ver com as camadas de inferência e dedução contidas em seus filmes. E ele também usa muitos prenúncios”, disse Owen à Nature. “Tudo isso exige processamento executivo. Não são coisas que acontecem inconscientemente.”

Um segundo paciente vítima de lesões cerebrais que também assistiu ao filme mostrou atividade cerebral significativamente menor, disseram os pesquisadores à revista Science.

Lorina Naci, principal autora do estudo, disse à CTV News que o resultado desafia o entendimento corrente do que significa a morte cerebral.

“Pela primeira vez, mostramos que um paciente com níveis desconhecidos de consciência consegue monitorar e analisar informações do seu ambiente da mesma maneira que um indivíduo saudável”, disse ela. “Já sabemos que um de cada cinco desses pacientes recebem o diagnóstico errado, e essa técnica pode revelar que o número pode ser ainda maior.”