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08/10/2014 10:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:03 -02

Presidente queniano, Uhuru Kenyatta, é o primeiro chefe de Estado em exercício a comparecer na corte de Haia

Peter Dejong / AP Photo

O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, tornou-se nesta quarta-feira (8) o primeiro chefe de Estado ainda em exercício a comparecer ao Tribunal Penal Internacional, em Haia.

Ele é acusado de ter cometido crimes contra a humanidade. Kenyatta foi convocado ao tribunal para responder a perguntas sobre seu indiciamento pela acusação de ter orquestrado uma onda de violência que causou milhares de mortes no Quênia após eleições contestadas em 2007. Ele nega as acusações.

A promotoria acusa as autoridades quenianas de se recusarem a entregar registros bancários e telefônicos, obstruindo a investigação do caso que tem enfrentado uma série de atrasos desde que foi iniciado há cinco anos.

O procurador Benjamin Gumpert disse que não há nenhuma evidência de que o próprio Kenyatta tenha intencionalmente interferido na investigação, mas afirmou que o Quênia não está conseguindo cumprir as suas obrigações e, por isso, sanções ao país deveriam ser consideradas.

"Seria totalmente inadequado retirar o caso, considerando que houve obstrução da investigação adequada", disse Gumpert ao tribunal.

"Os interesses da Justiça devem ser primordiais aqui".

Os juízes estavam avaliando nesta quarta um pedido da promotoria para suspender o julgamento e encaminhar a questão da alegada falta de cooperação do Quênia para os Estados membros do Tribunal, que poderiam, então, decidir sobre as sanções.

Dezenas de partidários de Kenyatta esperaram diante da corte e começaram a cantar quando ele chegou.

Kenyatta e aliados dizem que o julgamento corre o risco de desestabilizar uma região que enfrenta a ameaça constante dos militantes muçulmanos radicais na Somália. "Não é o momento para enfraquecer um país e uma região, removendo o seu presidente para o julgamento", disse Mahboub Maalim, partidário de Kenyatta , que estava em Haia para a audiência.

O caso é visto como um grande teste para a corte internacional, que conseguiu apenas duas condenações nos onze anos desde que foi criada para processar pessoas por crimes graves quando os tribunais nacionais não estiverem dispostos ou forem incapazes de fazer isso.

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