MUNDO
08/10/2014 12:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:03 -02

Estado Islâmico divulga 11 regras para 'orientar' trabalho de jornalistas em territórios sitiados pelo grupo

AP Photo

O Estado Islâmico, grupo extremista que atua na Síria e no Iraque, estabeleceu 11 regras para os jornalistas que trabalham em áreas sob seu controle.

Segundo o Syria Deeply as normas fizeram com que muitos profissionais fugissem para outras áreas da Síria, que não estão dominadas pelo autodeclarado califado.

No entanto, alguns jornalistas resolveram ficar na província de Deir Ezzor – recentemente controlada pelo grupo – e seguir as regras impostas pelo Estado Islâmico.

Veja abaixo as onze regras impostas pelo EI:

1. Os correspondentes devem jurar fidelidade do Califa [Abu Bakr] al-Baghdadi. Eles são súditos do Estado Islâmico e, nessa condição, são obrigados a jurar lealdade ao seu imã.

2. O seu trabalho estará sob a supervisão exclusiva dos escritórios de mídia do Estado Islâmico.

3. Os jornalistas podem trabalhar diretamente com agências de notícias internacionais (como a Reuters, a AFP e a AP), mas devem evitar todos os canais locais e internacionais de televisão por satélite. Os profissionais estão proibidos de fornecer qualquer material exclusivo ou ter qualquer contato (via áudio ou imagem) com eles em qualquer circunstância.

4. Os jornalistas estão proibidos de trabalhar, sob todas as circunstâncias, com os canais de TV que constam na lista negra por lutarem contra países islâmicos –como o Al-Arabiya, Al Jazeera e Orient. Os infratores serão responsabilizados.

5. Os jornalistas estão autorizados a cobrir eventos na sede do governo com a captação de imagens, sem remetê-las para o escritório de mídia do Estado Islâmico. Todos os conteúdos publicados devem ser assinados pelos jornalistas e fotógrafos envolvidos.

6. Os jornalistas não estão autorizados a publicar qualquer reportagem sem avisar previamente ao escritório de mídia do Estado Islâmico.

7. Os profissionais podem divulgar fotos e notícias em blogs e mídias sociais. A assessoria do Estado Islâmico deve ser informada do endereço e do nome do administrador das páginas.

8. Os jornalistas devem respeitar as restrições para a captura de imagens impostas pelo Estado Islâmico, não registrando locais ou eventos de segurança onde a prática é proibida.

9. Os escritórios de mídia do Estado Islâmico vão acompanhar o trabalho dos jornalistas e da mídia estatal no território dominado pelo grupo. Qualquer violação das regras em vigor suspenderá o trabalho do jornalista, e ele será responsabilizado.

10. As regras não são imutáveis e estão sujeitas a alterações a qualquer momento, dependendo das circunstâncias e do grau de cooperação dos jornalistas com “seus irmãos” nos escritórios de mídia do Estado Islâmico.

11. Os jornalistas recebem uma permissão para trabalhar após entregar um requerimento ao escritório de mídia do Estado Islâmico.

Durante o encontro no qual as regras foram divulgadas, os jornalistas que ficaram no território assinaram circulares concordando com os termos do acordo.

As regras aumentam ainda mais as tensões em uma região extremamente perigosa para o trabalho da imprensa.

Segundo o levantamento do Comitê de Proteção dos Jornalistas, pelo menos dez profissionais foram mortos cobrindo o conflito na Síria neste ano. Em 2013, 29 foram mortos, e em 2012, 31.

O Estado Islâmico decapitou dois jornalistas americanos neste ano: James Foley e Steven Sotloff.