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08/10/2014 15:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:03 -02

Desistência da candidatura de Oslo aos Jogos de Inverno de 2022 gera polêmica

AFP via Getty Images
This photo taken on March 17, 2013, shows shows Norwegian Anette Sagen during FIS World Cup women`s ski jumping competition in Holmenkollen skiing venue during in Oslo. Norway submitted its bid for the 2022 Winter Olympics, where Holmenkollen is expected to be one of the main venues. AFP Photo /NTB scanpix /SOLUM STIAN LYSBERG / NORWAY OUT (Photo credit should read Solum Stian Lysberg/AFP/Getty Images)

A desistência da candidatura de Oslo, capital da Noruega, para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, confirmada pelo governo do país escandinavo no dia 1º de outubro, tem rendido debates acalorados e muitas manchetes em jornais, revistas e portais noruegueses.

Na semana passada, os Partidos Conservador e do Progresso, que compõem a base governista do país, acuados pela falta de apoio popular e temerosos com o alto custo da organização da competição, pediram para o governo retirar a candidatura. Erna Solberg, primeira-ministra do país, acatou o pedido, afirmando: “Recebemos um conselho claro e não vejo razões para não seguir esse conselho. Um projeto grandioso com esse, que é tão caro, requer um grande apoio popular e não temos esse apoio”.

O Comitê Olímpico Internacional (COI), por sua vez, por meio de Christophe Dubi, diretor executivo para os Jogos Olímpicos, lamentou a “oportunidade perdida pela cidade de Oslo e por todos os habitantes da Noruega, que são conhecidas mundialmente por serem grandes fãs de esportes de inverno”, ressaltando o repasse de 880 milhões de dólares (R$ 2,13 bilhões) feito pela entidade às cidades-sede somado à possibilidade de quadruplicar o valor gasto na organização da competição.

Dubi foi além, questionando a decisão tomada pelo governo norueguês. “No começo de 2014, a candidatura norueguesa solicitou um encontro com o COI para uma explicação de todos os aspectos dos requerimentos do Comitê para as candidaturas e o COI decidiu realizar essa reunião com todas as três cidades candidatas. Entretanto, nenhum membro da candidatura de Oslo ou representante do governo da Noruega compareceu a reunião e por isso, tomaram essa decisão com base em meias verdades e fatos questionáveis", salientou.

oslo 2022 bid

Estas "meias verdades" foram evidenciadas em uma reportagem publicada pelo jornal norueguês VG, cujo conteúdo foi repercutido em uma reportagem do portal Globoesporte.com.

Segundo a publicação, membros da cúpula do COI deveriam ser recebidos pelo rei da Noruega em cerimônia paga pelo governo e teriam um portão especial na alfândega do aeroporto, além de terem o custo do transporte pagos pela organização da competição. Os integrantes também teriam faixas exclusivas para se locomover pela cidade.

Para o COI, porém, houve uma falha de interpretação com a carta de intenções já que alguns itens seriam apenas sugestões, e não exigências. Tomas Bach, presidente da entidade, disse que a reportagem foi exagerada, sendo a decisão rejeitar a candidatura “puramente política".

“Não quero criticar a imprensa, mas é muito difícil interpretar o fato de, desde 1896, todo estado estar aberto aos Jogos Olímpicos de acordo com a Carta Olímpica. Como você interpreta um pedido de um coquetel? Isso (a desistência de Oslo) não é realmente fácil de entender” afirmou o dirigente à agência de notícias Associated Press.

Frithjof Jacobsen, comentarista político do diário norueguês, celebrou a decisão de o país desistir da candidatura e não “satisfazer as demandas loucas do COI”. Sem Oslo na disputa, seguem lutando pela sede dos Jogos de Inverno de 2022 as cidades de Pequim (China) e Almaty (Cazaquistão). As cidades de Lviv (Ucrânia) Cracóvia (Polônia) e Estocolmo (Suécia) também lançaram candidaturas, mas desistiram. Já Munique (Alemanha) e São Moritz (Suíça) consideraram lançar candidatura, mas não chegaram a fazê-lo por problemas políticos ou financeiros.

A sede dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022 será escolhida na votação da 127ª sessão do COI no dia 31 de julho de 2015, em Kuala Lumpur, na Malásia.