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08/10/2014 17:37 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:03 -02

Contra Ebola, EUA vão medir temperatura de passageiros em aeroportos; especialista sugere que Brasil faça o mesmo

Sunday Alamba / AP Photo

O Brasil deve concentrar seu plano de prevenção contra o Ebola nos aeroportos, controlando as portas de entrada do país.

O alerta é de Peter Piot, microbiólogo belga que descobriu o vírus em 1976 e hoje atua como consultor da Organização Mundial da Saúde (OMS) diante do pior surto da doença na história.

Nesta quarta-feira (8), o governo americano anunciou que vai medir a temperatura de viajantes da África Ocidental em cinco aeroportos dos EUA a fim de controlar a epidemia de ebola.

O monitoramento vai começar no sábado no aeroporto JFK, em Nova York. Na próxima semana, o procedimento será adotado nos aeroportos de Newark, Dulles, Chicago e Atlanta.

Esses cinco aeroportos cobrem 94% dos destinos das pessoas que viajam nos EUA da Libéria, Serra Leoa e Guiné, os três países mais afetados pela doença.

O anúncio do governo dos EUA coincide com a morte de Thomas Eric Duncan. Ele morreu em um hospital em Dallas, onde era tratado, mas se contaminou na Libéria.

Um outro homem foi internado em Dallas, apresentando sintomas da doença. Ele aparentemente teve contato com Duncan.

Em entrevista à Agência Estado, Piot deixa claro que todos os países precisam estar preparados.

"Da mesma forma que o vírus chegou à Espanha, ele também pode chegar ao Brasil", disse.

"As pessoas viajam e não há uma fronteira para o vírus", declarou o cientista da London School of Hygiene. "Não existe motivo para pensar que o Brasil não seria afetado."

Considerado o maior especialista no mundo sobre Ebola, ele insiste que a forma mais eficiente de trabalho é a prevenção. "Essa deve ser a principal atenção do Brasil: reforçar os controles nos aeroportos", insistiu.

Para o cientista, a chave para barrar uma contaminação em outras regiões do mundo é atacar o surto no Oeste da África.

Piot não esconde que teme que casos identificados nos Estados Unidos e na Espanha acabem tirando o foco da comunidade internacional: o problema real está na África. "A única forma de prevenção é controlar esse surto nos países africanos", disse, em Genebra.

Piot chega a ser irônico ao falar da repercussão do surto atual. "Foram necessários dois americanos contaminados para que o mundo mobilizasse recursos", atacou. "Esse é o mundo."

Na terça-feira (7), o Pentágono informou que destinará US$ 750 milhões para o combate à doença e os 4.000 militares mobilizados para atuar na África Ocidental podem ficar até um ano em missão.

Espanha

Sobre o caso da enfermeira espanhola contaminada por um doente repatriado, o cientista belga também não mostra surpresa. "O risco sempre existiu e eu avisei."

De acordo com o El País, Teresa Romero afirmou que pode ter se contaminado ao retirar os trajes de proteção, necessários para entrar em contato com vítimas do Ebola.

Segundo ele, nem todos os hospitais estão prontos para agir nesses casos. "Ninguém na Europa tem experiência com isso e um pequeno erro pode ser fatal. Por isso, o caso de Madri é uma lição a todos. Ninguém tem o direito de achar hoje que está exagerando nas medidas de precaução. Elas precisam ser adotadas", insistiu.

Com informações das agências de notícias