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07/10/2014 21:59 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:03 -02

Nobel da física ganhou só US$ 180 por descoberta. Depois, processou geral e deu a volta por cima!

Três japoneses foram agraciados com o Nobel da física nesta quinta (7). Isamu Akasaki, Hiroshi Amano e Shuji Nakamura foram premiados por criar uma maneira de emitir luz azul usando tecnologia LED.

A importância vem do fato que era impossível criar lâmpadas com luz branca sem o uso do azul. “Para fazer qualquer coisa, você precisa das três cores primárias (vermelho, verde e azul). Vermelho era mais fácil por causa do arsenieto de gálio que já estava disponível, mas ninguém sabia como fazer o azul”, disse Nakamura em uma entrevista em 2009.

Na época, Nakamura trabalhava em uma pequena empresa no interior do Japão, chamada Nichia Chemicals. Os outros dois premiados trabalhavam juntos na Universidade de Nagoya.

Nakamura trabalhou na tecnologia do LED azul de 1989 a 1993. Depois do êxito, a Nichia lhe deu como gratificação 20 mil ienes (cerca de 180 dólares ou 440 reais). Um relatório recente da consultoria McKinsey aponta que a iluminação a LED será um tecnologia com valor de 80 bilhões de dólares até 2020, quando será usada amplamente.

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Nos anos 90, a cultura empresarial do Japão era de que toda a produção de conhecimento na indústria era propriedade somente da empresa. Nakamura, portanto, não teria direito a nada além dos seus 20 mil ienes.

Mas o jogo mudou para ele em pouco mais de uma década. Em 2000, Nakamura se demitiu da Nichia e foi para Santa Barbara, nos EUA, para ser professor da Universidade da Califórnia. Ao sair, ele se recusou a assinar o contrato de confidencialidade da Nichia.

Por conta disso, Nakamura foi processado em 2001. Mas o cientista contraprocessou a empresa e pediu parte da receita gerada pela sua descoberta.

O processo terminou em 2005 e foi notícia no jornal americano The New York Times. Nakamura receberia 840 milhões de ienes da Nichia. O valor é equivalente a 7,7 milhões de dólares ou 18,5 milhões de reais.

O número, diga-se de passagem, era muito menor que o que uma instância inferior havia determinado. A corte anterior julgava que Nakamura tinha direito a receber um terço do valor de mercado da invenção na época. Isso daria 20 bilhões de ienes (185 milhões de dólares ou 441 milhões de reais).

De acordo com o New York Times, esse foi o valor mais alto que uma empresa já havia pagado a um empregado por uma invenção até aquela data.

Hoje, Nakamura ainda é professor Universidade da Califórnia. Ele e os outros dois premiados dividirão o equivalente a 1,1 milhão de dólares pelo Nobel.