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05/10/2014 23:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:03 -02

Em discurso, Dilma Rousseff afirma que o povo "não quer fantasmas do passado de volta", em referência às gestões do PSDB

ED FERREIRA/ESTADÃO CONTEÚDO

Pouco depois das 21:30 de hoje (5), Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição a presidente da República, fez um discurso em comemoração à ascensão ao segundo turno, que ocorre no dia 26 de outubro.

Acompanhada do vice Michel Temer (PMDB), do presidente do PT Rui Falcão e do presidente do PCdoB Renato Rabelo, Dilma subiu ao palco visivelmente satisfeita com o resultado nas urnas — obteve 41,56% dos votos válidos, com 99,71% das urnas apuradas. O público presente entoava cantos como "olê, olê, olá, Dilma, Dilma" e "um, dois, três, Dilma outra vez".

"Mais uma vez, o povo brasileiro me honrou com sua confiança ao me dar a vitória nessa disputa no primeiro turno", disse. "É a sétima vitória do PT: duas de Lula [os dois turnos nas eleições de 2002], outras duas de Lula [os dois turnos nas eleições de 2006], duas da minha eleição [os dois turnos nas eleições de 2010] e agora, uma nesta eleição." Dilma afirmou ter entendido o resultado nas urnas como "um recado simples, que diz que eu devo seguir em frente."

Ela agradeceu partidários, militantes e Lula, a quem se dirigiu como "o nosso querido líder". "Sem o presidente Lula eu não teria chegado onde cheguei e realizado o sonho de fazer um Brasil melhor." Então, repetiu uma frase dos tempos de resistência à ditadura: "a luta continua", ao que o público respondeu em coro: "o povo unido jamais será vencido".

Dilma aproveitou para citar Eduardo Campos, cuja morte em agosto deste ano abriu espaço para a candidatura de Marina Silva (PSB). "O início de campanha foi marcada por uma tragédia: a morte do companheiro Eduardo Campos, que sempre esteve comigo no meu governo e no de Lula, por muitos anos."

Retomando a ideia de recado recebido das ruas, a candidata afirmou que o povo "vê no projeto a mais legitima confiança de mudança", e que "a maioria dos brasileiros votou dizendo que a mudança mais segura é acelerar e melhorar o Brasil que nós estamos construindo".

A candidata usou o segundo mandato de Lula como comparação para o que virá, caso Dilma seja reeleita. "Eu garanto que vou fazer como meu querido companheiro Lula, que fez um segundo governo muito melhor que o primeiro."

Então, Dilma comentou algumas ações do seu mandato, como na área de previdência, segurança e educação. "Nós acabamos com a fila da previdência. Como resolvemos [isso], o pessoal esqueceu. Na segurança, [vamos fazer] como fizemos na Copa: centros de comando e controle, polícia integrada, juntando forças. [Temos] Ideias novas para a educação, ampliando o que fizemos corretamento: Fies, Prouni, Pronatec, Ciência sem Fronteira." Neste campo, em específico, Dilma mencionou o pré-sal, e garantiu que os recursos oriundos do pré-sal serão usados "para valorizar os professores."

A candidata não poupou ataques ao PSDB, partido do seu oponente Aécio Neves e de Fernando Henrique Cardoso, que governou o País antes de Lula assumir a presidência, em 2003. "Vamos controlar ainda mais a inflação, e sem produzir ajustes e medidas impopulares, como o arrocho salarial e o desemprego que tivemos nos governos do PSDB."

Outro ponto que Dilma mencionou foi a reforma política. "Tenho absoluta certeza de que precisamos fazer a reforma política, a mãe de todas as reformas." Para isso, mencionou a necessidade de um plebiscito.

Foi além no ataque aos tucanos. "O povo brasileiro acaba de dizer [nas urnas] que não quer os fantasmas do passado de volta, como recessão, arrocho, desemprego. E que novamente teremos disputa com PSDB, que governou apenas para um terço da população e esqueceu os mais necessitados. Eles quebraram o país três vezes, impuseram juros que chegaram a 45% (...) e jamais promoveram políticas de inclusão social e de redução da desigualdade."

De acordo com Dilma, os tucanos "viraram as costas para o povo, e acabaram com as escolas técnicas, esvaziaram o crédito educativo, elitizaram as nossas universidades federais, sucatearam-nas — agora, estranhamente se dizem defensores."

Além disso, a candidata lembrou uma frase dita por Fernando Henrique Cardoso, em 1998: "[O PSDB] chamava aposentados de vagabundos, e agora dizem ter fórmulas mágicas para a previdência."

"O povo brasileiro não quer de volta aqueles que trouxeram racionamento de energia, que tentaram incluir no processo de privatização a Petrobras, Furnas, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal", complementou.

De acordo com a Exame, compareceram ao ato da campanha os ministros Edison Lobão (Minas e Energia), Izabella Teixeira (Meio Ambiente), José Eduardo Cardozo (Justiça), Miriam Belchior (Planejamento), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Relações Institucionais), Manoel Dias (Trabalho), Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exterisores), Ideli Salvatti (Direitos Humanos), Henrique Paim (Educação), Thomas Traumann (Secretaria de Comunicação Social) e Moreira Franco (Aviação Civil).