NOTÍCIAS
04/10/2014 17:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:03 -02

Morre o ex-ditador do Haiti Jean-Claude Duvalier, conhecido como Baby Doc

Reuters

O ex-ditador haitiano Jean-Claude Duvalier, conhecido como "Baby Doc", morreu neste sábado, aos 63 anos, de um ataque cardíaco, informou o seu advogado, Reynold George.

O corrupto e brutal regime de Duvalier provocou uma revolta popular que o enviou para um exílio de 25 anos.

Segundo o advogado, ele morreu em casa. Duvalier, que aparentava estar com a saúde fragilizada, fez um retorno surpresa ao Haiti em 2011, permitindo que as vítimas do regime que comandou apresentassem queixas na Justiça.

Por outro lado, alguns velhos aliados se reuniram em torno dele. Nenhum dos lados recebeu muito apoio, e o ditador outrora temido passou seus últimos anos em relativa obscuridade nas montanhas próximas da capital haitiana.

Duvalier era filho de François "Papa Doc" Duvalier, um médico que virou ditador e promoveu o "Noirisme", movimento que procurou evidenciar as raízes africanas do Haiti em contrapartida às influências europeias, unindo a maioria negra em um país dividido por classe e cor.

Os regimes de ambos os líderes torturaram e mataram adversários políticos e contaram com o apoio da temida milícia civil conhecida como Tonton Macoutes. Jean-Claude Duvalier governou por 15 anos, com seu governo sendo visto como menos violento e repressivo do que o de seu pai.

Em 1986, uma revolta popular varreu o Haiti, e Duvalier e sua então esposa, Michele Bennett, fugiram em um caça C-141 do governo norte-americano rumo à França.

Em 16 de janeiro, 2011, Duvalier voltou ao Haiti, dizendo que queria ajudar na reconstrução do país, cuja capital e cidades do interior foram fortemente danificadas em um terremoto de magnitude 7 no ano anterior.

Os esforços para processá-lo não foram adiante. Duvalier surpreendeu observadores dos direitos humanos e as vítimas de seu regime em 2013, quando testemunhou sobre seu governo ante um juiz.

Um ano depois, outro magistrado determinou que Duvalier poderia enfrentar acusações de crimes contra a humanidade. Autoridades do país, entretanto, não pressionaram para a conclusão do caso. Duvalier deixa dois filhos, François Nicolas "Nico" e Anya.