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02/10/2014 12:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

Estado Islâmico está cometendo crimes 'estarrecedores' no Iraque, afirma relatório da ONU

Carsten Koall / Getty Images

Os insurgentes do Estado Islâmico no Iraque realizaram execuções em massa, raptaram mulheres e meninas e usaram crianças como soldados, o que pode equivaler a crimes de guerra que exigem processo, declarou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira (2).

Em um documento baseado em 500 entrevistas com testemunhas, a Organização denuncia o sequestro de meninas da minoria Yazidi para servirem de escravas sexuais para soldados do grupo. De acordo com o documento, elas são vistas como “recompensas” para os soldados.

Em relato divulgado pelo New York Post, adolescentes relataram alguns dos horrores vividos pelas jovens no cativeiro.

“Uma menina se enforcou e outra tentou se matar, mas os soldados a impediram e bateram muito nela. Ninguém mais tentou [se matar] depois disso”.

Ela também relatou ao jornal que as reféns são obrigadas a assistirem vídeos de decapitações e são incitadas a se converter para o islamismo, sob constante ameaça de morte.

"Eles nos diziam que se não nos convertêssemos ao islã, eles matariam todos os homens da nossa família. Nós então dissemos para nós mesmas: 'são apenas palavras. Em nossos corações ainda somos Yazidi'. Então, fiz isso para salvar meu irmão".

O documento também denuncia que os ataques aéreos conduzidos pelo governo iraquiano contra os militantes causaram um “significativo” número de mortes de civis por atingirem vilarejos, escolas e hospitais, violando leis internacionais.

Segundo a ONU, pelo menos 9.347 civis foram mortos e 17.386 ficaram feridos até setembro, bem mais da metade deles desde que os insurgentes islâmicos começaram a ocupar vastas áreas do norte do Iraque no início de julho, diz o relatório.

“A gama de violações e abusos perpetrados pelo Estado Islâmico e grupos armados associados a ele é estarrecedora, e muitos de seus atos podem equivaler a crimes de guerra ou crimes contra a humanidade”, afirmou o novo Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad al Hussein.

Em um comunicado, ele voltou a pedir ao governo de Bagdá que se filie ao Tribunal Penal Internacional, afirmando que a corte de Haia foi criada para processar tais abusos e agressões diretas contra civis com base em seu grupo religioso ou étnico.

As forças islâmicas cometeram graves violações de direitos humanos e atos de violência de “uma natureza sectária crescente” contra grupos como cristãos, yazidis e muçulmanos xiitas em um conflito cada vez mais disseminado, que já forçou 1,8 milhão de iraquianos a fugirem de seus lares, de acordo com o relatório de 29 páginas do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU e da Missão de Assistência da ONU para o Iraque (Unami, na sigla em inglês).

O Estado Islâmico levou adiante seu ataque a uma cidade na fronteira síria nesta quinta apesar dos ataques aéreos da coalizão, forçando mais milhares de curdos a buscarem refúgio na Turquia e mergulhando Ancara ainda mais no conflito.

Hoje também, o parlamento turco debate se autoriza ou não o uso de força militar contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Até o momento, a Turquia, país membro da Otan, se negou a entrar na coalizão liderada pelos EUA, oferecendo apenas suporte para os países que fazem parte do grupo.

Com informações da Reuters