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01/10/2014 03:12 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

#DebateNaGlobo: Alvo da dupla Skaf e Padilha, Alckmin tabela com ‘nanicos' contra críticas e garante: ‘Não vai faltar água'

Montagem/Estadão Conteúdo

“Não vai faltar água em São Paulo”. Anote aí, caro eleitor paulista. Favorito a vencer as eleições no primeiro turno no Estado de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) não disse a frase nem uma, nem duas, mas uma porção de vezes durante o último debate entre os candidatos ao governo estadual, realizado na noite desta terça-feira (30), na TV Globo.

Horas antes, uma nova pesquisa Ibopeapontou uma queda do tucano de quatro pontos percentuais e uma subida de dois pontos (ou seja, dentro da margem de erro) dos principais adversários, Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT). Ainda assim, Alckmin venceria no primeiro turno, segundo o levantamento. Com tais dados expostos, se confirmou o esperado: artilharia pesada contra o candidato à reeleição.

Dos sete candidatos presentes – além do trio de favoritos, compuseram o debate Laércio Benko (PHS), Gilberto Marangoni (PSOL), Gilberto Natalini (PV) e Walter Ciglioni (PRTB) –, quatro tinham como intuito apresentar o que chamariam de “mentiras” de Alckmin. Marangoni foi o ‘mestre de honra’ nesse quesito, já questionando a presença de empresas envolvidas no escândalo do cartel do Metrô entre as doadoras da campanha tucana.

A corrupção, atribuída a Alckmin, foi também alvo de Skaf e Padilha contra ele. Pelas regras do debate, acabaram tendo de se contentar em ‘fazer uma tabelinha’ ao longo dos quatro blocos de perguntas e respostas, dois deles com temas determinados – muitas vezes ignorados pelos candidatos, preocupados em atacar o tucano a qualquer custo.

Entre citações contra a inoperância do governo paulista em atuar de maneira eficiente na crise hídrica, na questão das Santas Casas e da saúde em geral, passando pela educação, o tido ‘debate de ideias’ descambou, como previsto, para uma verdadeira ‘briga de foice no escuro’. Irritados com a impossibilidade de confrontarem diretamente Alckmin, Skaf e Padilha perderam um pouco a calma, já na reta final do encontro.

A tática tucana

Para não dar margem aos adversários, o governador preferiu uma tabelinha tranquila com os ‘nanicos’ Natalini e Ciglioni, os quais pouco ou quase nada acrescentaram ao debate. O candidato do PRTB, aliás, usou o seu tempo para atacar Padilha e o governo federal, ajudando na argumentação de Alckmin no debate. Ainda quis defender o seu 'padrinho' presidenciável Levy Fidelix, ainda envolto na polêmica declaração homofóbica na TV Record.

Já Natalini procurou abordar temáticas ligadas ao PV, como a questão do etanol, mas totalmente deslocadas dos bate-bocas acalorados em andamento naquele momento.

Por fim, houve uma troca enorme de números e acusações. Ao público, algo bem pouco esclarecedor. “Quem está dizendo a verdade?”, deve ter se perguntado o eleitor mais bem intencionado. Este cidadão ouviu a retórica tradicional, prometendo melhoras de todos os serviços públicos e de tudo que não está bom, vinda de todos os presentes. Pouco alentador, diante da falta de profundidade da íntegra dos candidatos, diga-se.

Para esses e os demais que ficaram acordados até o início da madrugada de quinta-feira (1º), só valeu mesmo pelos poucos momentos de descontração, como a insistência de Benko em defender a presidenciável Marina Silva (PSB), com direito a um bate-boca com Padilha, e Maringoni se inspirando no humorístico Porta dos Fundos nas considerações finais, algo que põe o candidato do PSOL como uma espécie de ‘Eduardo Jorge’ do pleito paulista.

Mais milagrosa do que uma súbita subida dos índices de água do Sistema Cantareira a curto prazo só mesmo a chance de Alckmin ‘desidratar’ a ponto de permitir que o segundo turno se torne uma realidade em São Paulo. A incapacidade dos adversários em se mostrarem uma alternativa viável e de uma mudança concreta, ao que tudo indica, ficou ainda mais clara no debate da Globo. Aos críticos do tucano, a tendência é de tentar entender a alta margem de votos dele pelos próximos quatro anos.

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