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30/09/2014 11:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

Manifestantes em Hong Kong mantém ocupação nas ruas; na véspera de feriado nacional, governo pede que vias sejam liberadas

AP Photo

Um protesto cheio de símbolos. Já conhecida como “a revolução do guarda-chuva”, o movimento que tem levado milhares de estudantes às ruas de Hong Kong para exigir um regime democrático tem outros fatos curiosos.

Usado pelos manifestantes para se protegerem do spray de pimenta lançado pelos policiais, o guarda-chuva é figura onipresente na linha de frente dos confrontos. Segundo a CNN, alguns manifestantes estão distribuindo os objetos, alguns deles estampados com slogans pró-democracia.

Outro símbolo entre os manifestantes são as fitas amarelas. Os adereços decoram grades, barricadas, camisetas e perfis em mídias sociais.

Emblema de movimentos internacionais pró sufrágio universal, eles foram também adotados pelos manifestantes em Hong Kong, e são usados também por aqueles que apoiam a causa, mas não estão totalmente ativos na luta.

Também chama a atenção a organização dos manifestantes. Eles têm um estoque de água potável, suprimentos, frutas e outros itens básicos. De acordo com relatos de correspondentes da CNN, o lixo reciclável está sendo separado e voluntários passam no meio da multidão recolhendo lixo.

Outra marca desses protestos tem sido o uso massivo de tecnologia. Twitter, Instagram e outros aplicativos assumiram um papel-chave na divulgação das ideias e das causas pelas quais os estudantes estão lutando.

De acordo com a CNN, pessoas e comerciantes dos arredores onde os manifestantes estão concentrados disponibilizam tomadas para que os aparelhos sejam carregados.

Dezenas de milhares de manifestantes pró-democracia ampliaram o bloqueio nas ruas de Hong Kong nesta terça-feira (30), estocando suprimentos e erguendo barricadas antes de uma possível repressão policial para liberar as vias antes do Dia Nacional da China.

A tropa de choque usou spray de pimenta e gás lacrimogêneo contra os manifestantes no fim de semana, mas até a noite de terça os agentes haviam quase completamente se retirado do distrito central de Admiralty, exceto na área onde está a sede do governo.

Para minimizar os efeitos do gás e do spray, vários manifestantes se enrolaram em plástico e improvisaram capas e óculos de proteção.

Na véspera do aniversário da fundação do Partido Comunista da República Popular da China, em 1949, a ser comemorado na quarta-feira (1º), multidões lotaram os distritos centrais desse centro financeiro asiático, perto de onde as festividades do feriado devem acontecer.

Rumores davam conta entre os manifestantes de que a polícia pode estar preparando uma nova investida, já que o governo prometeu prosseguir com as celebrações do Dia Nacional.

Em breve comunicado, o movimento conhecido como Occupy Central exigiu que o chefe do executivo da região administrativa especial de Hong Kong, Leung Chun-ying, cumpra até esta quarta suas demandas para o estabelecimento de uma democracia genuína e renuncie ao cargo.

No Twitter, o grupo também informou que vai "anunciar novos planos de desobediência civil" no mesmo dia, sem fornecer mais detalhes. A expectativa é que uma multidão ainda maior tome as ruas de Hong Kong amanhã, quando começa o feriado nacional da China, que durará uma semana.

O governo local cancelou uma exibição de fogos de artifícios que seria feita para marcar a data.

Leung apelou ao Occupy Central que interrompa a série de protestos, que prejudicou o trânsito e o transporte público nos últimos dias.

Ele afirmou, no entanto, que os líderes comunistas da China não vão desistir de restringir reformas eleitorais para a primeira eleição direta de Hong Kong, prevista para 2017.

Embora Leung tenha dito que os protestos, considerados ilegais, não fariam Pequim voltar atrás, ele também disse que a polícia de Hong Kong seria capaz de manter a segurança sem a ajuda de tropas do Exército da Liberação Popular (ELP) da China continental.

“Quando um problema se apresenta em Hong Kong, nossa polícia deve ser capaz de resolvê-lo. Não precisamos pedir o ELP”, disse Leung a repórteres em uma coletiva nesta terça.

“Eu não sei o que a polícia ou o governo vão fazer comigo, mas eu tenho 100% de certeza que eu estarei lá [à noite], disse Ken To, um gerente de restaurante, falando no distrito residencial de Mong Kok.

“Nós [cidadãos de Hong Kong] não queremos apenas dinheiro. Queremos nossos filhos, nosso futuro, nossa educação”, disse ele.

A China governa Hong Kong sob a fórmula “um país, dois sistemas”, que garante à ex-colônia britânica um grau de autonomia e liberdades que não são desfrutadas na China continental, tendo estabelecido o sufrágio universal como uma meta eventual.

Com informações das agências de notícias