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29/09/2014 15:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

Para Dunga, "talento é imprescindível" e atleta da Seleção "não pode ter alternância de ritmo"

IDE GOMES/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

O treinador da Seleção Brasileira Dunga concedeu uma longa entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada nesta segunda-feira (29), onde avalia seu início de trabalho frente à equipe nacional, em sua segunda passagem ao cargo e discorre sobre a atual safra de jogadores brasileiros, a ausência de um camisa 9 tradicional no time, Neymar e o corte de Maicon, entre outros temas.

Questionado sobre qual será a filosofia da Seleção Brasileira neste novo ciclo, o técnico foi enfático: "competitiva, com mentalidade vencedora". Dunga quer aproveitar "as características individuais dos jogadores, a qualidade técnica", promovendo uma mescla entre atletas que já estão habituados a vestir a camiseta amarela e "dando oportunidades, principalmente no início".

Sobre a safra atual de jogadores aptos a serem convocados para a Seleção, Dunga acredita "que tem até mais" do que 40 ou 50 atletas, número estipulado pelo repórter do Estadão em condições de servir a equipe, baseado em declarações anteriores do treinador. "Tem muitos jogadores que nós estamos há 8, 10 anos, esperando dar certo", relativizou o comandante da Seleção Brasileira, sem, no entanto, citar nomes.

Segundo Dunga, para um atleta almejar ser convocado, "o talento é imprescindível". Dunga, contudo, vai além e afirma ser necessário ter personalidade, foco, regularidade. "O jogador tem que entender essa transição do clube para a Seleção. Um erro mínimo na Seleção se torna grande, qualquer erro é muito evidenciado. No clube, não. E aí tem que estar preparado para críticas".

A regularidade é uma qualidade muito importante em um atleta, na avaliação do treinador gaúcho. "(O atleta) tem que ter uma regularidade durante o ano. Se joga 70 partidas, em 35, 40, tem que fazer a diferença no seu clube, tem que se destacar. Não pode ter alternância de ritmo", cravou.

A escolha de Neymar como capitão da Seleção nos amistosos contra Colômbia e Equador, disputados no início de setembro foi justificado da seguinte maneira: "Quanto mais desafiá-lo, mais ele vai te dar em troca. Ele não pode nunca estar acomodado, tem de estar sempre sendo desafiado. porque ele gosta de competição".

O corte do lateral direito Maicon foi outro tema abordado na entrevista. Para Dunga, a maneira como a CBF lidou com a questão, "blindando" o atleta e pedindo aos jornalistas que evitassem abordar o tema nas entrevistas com outros jogadores se deu porque ele lida com "imagem, com contratos".

Preservar Maicon foi uma maneira de evitar que a "crise interna" na Seleção, gerada pelo ato de indisciplina do atleta fizesse com que ele, respingasse em seu dia a dia profissional, na Itália. "Se eu disser o motivo e ele perder um contrato, eu sou o responsável. Tenho que preservar meu atleta. Continuo respeitando como ser humano, como profissional".

Por fim, a questão da ausência de um camisa 9 "legítimo" foi justificada pelo treinador. "Não tendo referência (dentro da área) fica mais difícil para o zagueiro marcar. Ele não sabe qual jogador vai chegar em alta velocidade, qual vau fazer a penetração na área". Porém, como, para ele, "nada é definitivo", há a possibilidade do atacante Fred, camisa 9 do Brasil na última Copa, voltar a ser chamado, a despeito de suas péssimas atuações na competição. "No momento oportuno, que nós acharmos que a Seleção precisa de um jogador como referência, com qualidade, se ele tiver um rendimento..."