NOTÍCIAS
27/09/2014 03:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

#DebateNaRecord: Paulo Skaf e Alexandre Padilha ‘apelam' até para nanicos, mas Geraldo Alckmin curte seu voo de cruzeiro

GABRIELA BILÓ/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Estável nos números, estável nos debates. Muito embora os adversários busquem inconsistências e apontem uma diversidade de problemas que o Estado de São Paulo vive, o fato concreto é que Geraldo Alckmin (PSDB) caminha a passos largos para a sua reeleição, garantindo a marca recorde de 24 anos do partido no comando do ente federativo mais importante do Brasil.

Isso ficou claro, mais uma vez, no penúltimo debate na televisão, realizado nesta sexta-feira (26) na Rede Record. O tucano esteve durante os quatro blocos no que na aviação costuma se chamar de ‘voo de cruzeiro’, que é quando a aeronave está com altitude e velocidade estabilizadas. Com base na última pesquisa Datafolha, divulgada horas antes, essa é a tática.

Dono de pelo menos metade das intenções de voto – por vezes até mais –, Alckmin procurou minimizar riscos e perdas durante o debate na Record. Como esperado, os seus rivais mais diretos na corrida ao Palácio dos Bandeirantes – Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT) – buscaram atacá-lo o quanto puderam. Contaram com a ajuda nos ‘nanicos’ presentes.

Ataques quase coordenados puderam ser notados em temas centrais, como supostas ‘mentiras’ que Alckmin estaria propalando em seu horário eleitoral na TV. Como o Brasil Post informou nesta sexta-feira, Skaf devolveu com um ‘Alckmin cover’ no seu programa. Já o tucano, longe de ser um iniciante, devolveu chamando o peemedebista de “candidato da taxa”, lembrando ao eleitorado que “enquanto a inflação subiu 6% a taxa do Sesi subiu 12%”.

Para tirar petista do sério

Para Padilha, o candidato com o maior nível de rejeição do pleito ao governo de SP, o tucano reservou o tema da saúde, tirando o petista, ex-ministro da Saúde, do sério em alguns momentos. Nessa área, Alckmin contou ‘com uma forcinha’ de Walter Ciglioni (PRTB), talvez o candidato mais caricato (e também o único impugnado pelo Justiça Eleitoral), e que sempre que pode adota o tom crítico contra o governo federal do PT.

Além de não conseguirem colocar Alckmin contra a parede de uma maneira consistente, mesmo citando temas como a crise da água, as lentas obras de expansão do metrô, e a aprovação automática no ensino, Skaf e Padilha ainda foram alvos em diversos momentos, demonstrando algumas fragilidades em temas que, possivelmente, possam ter pego ambos de surpresa.

Ou alguém esperava que o ‘nanico’ Gilberto Maringoni (PSOL) relembrasse um fato histórico, citando como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), entidade da qual Skaf é presidente licenciado, apoiou e financiou a ditadura militar? Junto com Laércio Benko (PHS), Maringoni ainda colocou o peemedebista em uma situação desconfortável em outro momento, ao lembrá-lo da ligação do seu partido com nomes como José Sarney, além do fato de Skaf ‘esconder’ o apoio da sigla à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), dona de uma grande taxa de rejeição no Estado.

'Chovendo no molhado' em meio à estiagem

Evidentemente, todos os candidatos apresentaram os seus discursos nos quais garantem que podem fazer uma gestão muito melhor do que o atual governador. ‘Jogando’ apenas para manter o resultado, Alckmin procurou, quando não desferia algumas alfinetadas nos rivais, a vender o seu peixe e o que fez pelo Estado nos últimos quatro anos.

Se o debate da Record não serviu exatamente para o esclarecimento de dúvidas e um aprofundamento central das propostas (principal incentivador para a própria realização desses encontros na TV), o que ficou claro foi a opacidade de Skaf e Padilha, mesmo juntos em alguns ataques, em desidratar o tucano, só para usar um verbo que tem tudo a ver com a estiagem paulista.

Há um debate final neste primeiro turno, marcado para o dia 30 de setembro, na Rede Globo. Será a última oportunidade de ver todos os candidatos se degladiando, juntos, na televisão neste primeiro turno. E deverá ser apenas mais um capítulo na contagem regressiva já em andamento no Palácio dos Bandeirantes. É o que aponta a estabilidade dos números, e a estável incapacidade dos adversários em desgastá-lo.

LEIA TAMBÉM

- Alckmin vence governo de São Paulo no 1º turno com 49%, diz nova pesquisa Ibope

- Alexandre Padilha mantém discurso otimista e alfineta Paulo Skaf: "Espero que não derreta"

- Paulo Skaf (PMDB) diz que vai administrar São Paulo com tesão e critica estilo 'meio frio' de Alckmin