LGBT
27/09/2014 04:04 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

Alvo de homofobia, Gabe Kowalczyk revela agressão e tentativa de estupro em SP e causa revolta no Facebook

Reprodução/Facebook

Nas estatísticas informais da homofobia que atinge as principais cidades do Brasil, um novo caso chamou a atenção e causou revolta nas redes sociais. Na última quinta-feira (25), Gabe Kowalczyk foi alvo de três homens que o agrediram e tentaram estuprá-lo.


As marcas mensuráveis ficaram espalhadas pelo seu corpo. Aquelas imensuráveis, as psicológicas, pareceram remetê-lo a uma outra situação de homofobia vivida no início do ano, em Interlagos, na zona sul da capital paulista.

“Fui encontrar o meu namorado e quatro nóias que já tinham mexido comigo vieram atrás. Eles estavam com um estilete e começaram a me agredir, queriam furar a minha barriga. Lutei para me desvencilhar deles e eles fincaram o estilete na minha perna, fiquei com uma cicatriz horrível”, relembrou, em entrevista ao IG.

No caso mais recente, três homens o abordaram e partiram para a agressão, sem nenhum motivo. “Desci umas duas ruas para baixo da minha casa em direção ao ponto de ônibus. Não tinha andado nem 300 metros quando percebi que tinha três caras andando atrás de mim (...). Estava a 10 metros da avenida quando eles chutaram a minha perna e me derrubaram”, disse.

“Caí de cara no chão, ralou tudo. Tenho um piercing no nariz e ele enroscou em algum lugar e me machucou muito. Tentei me virar e um cara mais gordinho virou meu corpo e os três começaram me dar chutes e socos, enquanto falavam: ‘Sua bicha, seu ridículo, quer ser mulher então vai apanhar que nem mulher’. Meu corpo estava tão machucado que eu tentava gritar e só saíam gemidos”, emendou.

A vítima ainda contou que o estupro só não se consumou por conta de uma movimentação em um imóvel próximo, o que fez os três agressores deixarem o local. Antes de irem embora, eles seguiram fazendo ameaças ao jovem: “Não acabou não, você vai ter o que merece”.

Trágico, ainda mais acompanhando postagens anteriores feitas por Gabe em sua página no Facebook. Nove dias antes, ele pediu proteção após a notícia de que um rapaz homossexual havia sido morto no Jabaquara, também na zona sul de SP.


Em outro post, o jovem questionava “onde o mundo iria parar” com tanto ódio contra algo natural.


Enquanto casos como o de Gabe se repetem pelo País, o período eleitoral traz uma porção de promessas no campo dos direitos humanos – incluindo a possível criminalização da homofobia. Todavia, não há nenhum prazo para que essa antiga demanda da comunidade LGBT seja analisada e eventualmente se torne lei no País, conforme o Brasil Post já noticiou.

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