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26/09/2014 17:29 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

Um mês após cessar-fogo, presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, acusa Israel de genocídio na ONU

Montagem/Reuters

Em discurso feito nesta sexta-feira (26), na Assembleia Geral da ONU, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, acusou Israel de conduzir uma “guerra de genocídio” e afirmou que vai cobrar punições junto ao Tribunal Penal Internacional.

O líder também afirmou que vai cobrar uma resolução das Nações Unidas para estabelecer um prazo para que Israel deixe os territórios ocupados desde 1967.

Após sete longas semanas – do dia 7 de julho até 26 de agosto – de conflito entre Israel e Palestina, um cessar-fogo foi acordado , há exatamente um mês.

Parece bastante tempo, mas é pouco se comparados aos 20 anos que a organização humanitária Shelter Cluster estima que serão necessários para reconstruir Gaza.

O levantamento foi feito com base na hipótese de cem caminhões com materiais de construção cruzando a fronteira com Israel diariamente, e não inclui a reconstrução de infraestrutura, apenas de residências.

De acordo com a Autoridade Palestina, reconstruir Gaza vai custar US$ 7,8 bilhões.

O valor – equivalente a 2,5 vezes o PIB do território - contempla US$ 2,5 bilhões para reconstruir casas, US$ 250 milhões para o setor de energia e US$ 143 milhões para o setor de educação – muitas escolas estão servindo como abrigo para quase 60 mil pessoas pessoas que tiveram que deixar suas residências.

Segundo a ONU, 13% das casas da Faixa de Gaza – 18 mil - foram afetadas. O número soma-se a um déficit de 71 mil casas que já existia antes da crise com Israel.

A organização afirma que o nível de destruição física das casas e da infraestrutura supera tudo o que foi visto nos últimos anos.

O conflito foi cinco vezes pior do que o de 2009 em termos de número de casas danificadas e de pessoas deslocadas.

Mais de 100 mil pessoas estão desabrigadas e 2.133 mil palestinos morreram no conflito. Entre as vítimas estão 500 crianças e 11 funcionários da ONU. Do lado do lado israelense, 66 soldados e seis civis perderam a vida.

Negociações

Nesta quinta-feira (25), foi estabelecido que o governo de unidade vai assumir o controle da Faixa de Gaza. Segundo a agência de notícias Reuters, o acordo pode fortalecer a posição palestina nas negociações com Israel no mês que vem.

O cessar-fogo pressupunha que a Autoridade Palestina, liderada por Abbas, assumisse a administração civil em Gaza das mãos do movimento islamita Hamas.

O Hamas assumiu o poder em Gaza em 2007 depois de vencer uma eleição com larga vantagem e em meio a uma rivalidade amarga entre os islamitas e o Fatah que descambou em violência. Os dois lados estavam profundamente divididos desde então.

As facções concordaram com a formação de um governo de unidade nacional em maio, mas uma desavença sobre o atraso nos salários pagos pela Autoridade Palestina aos funcionários públicos de Gaza quase ocasionou um rompimento nas relações.

Moussa Abu Marzouk, vice-líder do escritório político do Hamas, declarou que o controle das passagens de fronteira de Gaza, outro tema polêmico, será dividido com a Organização das Nações Unidas (ONU).

“A ONU fará um acordo com Israel e com o governo de unidade sobre como administrar as passagens”, afirmou.

O acordo postula que 3.000 membros das forças de segurança empregados pela Autoridade Palestina serão incorporados aos serviços de segurança de Gaza e encarregados de gerenciar as passagens de fronteira do território.

Marzouk disse que a passagem de Rafah, que faz fronteira com o Egito, não é parte do entendimento.

Ahmed, da Fatah, disse que as duas facções concordaram em “eliminar todos os obstáculos perante o governo de unidade nacional”.

Não houve comentários de imediato sobre o avanço em Israel, que comemora o feriado religioso do Rosh Hashaná, o Ano Novo judaico.

Israel interrompeu as conversas com Abbas, mediadas pelos dos Estados Unidos, quando o acordo do governo de unidade foi anunciado em abril, e exortou o mundo a não reconhecer o novo governo.

(Com informações da Reuters)