COMPORTAMENTO
26/09/2014 12:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

7 brigas inevitáveis que todo casal tem (e como solucioná-las)

Lambert via Getty Images

Discutir como a pessoa amada nunca é legal. Você pode até achar que cada discussão mesquinha — tempestades em copo d’água — é algo totalmente inusitado, mas a verdade é que inúmeros outros casais já tiveram a mesma briga. Aqui, alguns especialistas em relacionamento apontam sete das brigas mais comuns dos casais e como solucioná-las antes que alguém pronuncie as palavras “está tudo acabado entre nós”.

1. A necessidade da atenção

Todos nós queremos nos sentir queridos e desejados, mas nem sempre é fácil expressar para a pessoa amada que você não está se sentindo assim. Mas nunca, jamais, deixe de expressar esse sentimento; isso pode acabar prejudicando o seu relacionamento de forma séria no futuro, diz Tammy Nelson, autora do livro 'The New Monogamy: Redefining Your Relationship After Infidelity' ("A nova monogamia: redefinindo seu relacionamento após a infidelidade", em tradução livre).

"A questão é que todos nós precisamos que o nosso parceiro nos dê atenção, e quando sentimos que isso não está acontecendo de forma satisfatória, podemos começar a discutir, agir de forma grosseira e criar ainda mais problemas”, diz Nelson. “A maioria das brigas que a princípio parecem estar relacionadas a questões como ciúme ou paquera com outra pessoa, muitas vezes são causadas pela carência de mais atenção”.

Se parece difícil falar sobre o assunto, Nelson recomenda um exercício simples: “Tente dizer ao seu parceiro três coisas que você admira ou aprecia nele todo dia. Depois, peça que falem o que apreciam em você”, ela explica. “Voltar o foco para o que o seu parceiro gosta em você e o que você gosta nele promove a atenção positiva no relacionamento, ao invés de aumentar os conflitos”.

2. Os sogros

Sogros metidos provocam problemas na vida dos casais desde o começo da civilização. E agora que todos vivemos em estado de hiperconectividade graças às redes sociais, os seus sogros podem se meter e querer opinar no seu casamento mais do que nunca.

Qual a solução? Os dois cônjuges precisam ser pró-ativos ao lidar com o problema, afirma M. Gary Neuman, autor de 'Connect to Love: The Keys to Transforming Your Relationship' ("Conectar para amar: os segredos para transformar o seu relacionamento", em tradução livre).

"O papel de mediador fica com a pessoa que tem o pai ou mãe mais intrometido”, diz. “Se é necessário falar algo com os pais sobre uma mudança no comportamento deles, deve ser feito pelo próprio filho ou filha.” (Pense bem: é mais provável que seus pais ouçam a você e sintam-se menos chateados se você estiver dando o recado.)

Se você é o genro ou nora da situação, tente estabelecer expectativas realistas para o relacionamento com seus sogros. “Talvez você nunca chegue a amá-los como ama seus pais, mas precisa pelo menos tentar gostar deles”, segundo Neuman.

3. O uso do celular

Se o seu cônjuge virou um viciado em tecnologia que se esconde atrás do iPhone na hora do jantar, talvez seja o momento de estabelecer algumas regras básicas para o uso do celular, diz Laura Wasser, renomada advogada de divórcio de Los Angeles, que já enfrentou a situação em seu próprio relacionamento. (“O meu ex dizia que o meu celular era o meu ‘namorado’", ela admite. “Certa vez ele saiu indignado de um restaurante porque eu estava trocando mensagens de texto com um cliente durante o nosso jantar”.)

"A verdade é que é necessário que você tenha consideração pela pessoa com a qual você escolheu passar algum tempo”, diz. "Imagine como você se sentiria se estivesse sentado em uma mesa de restaurante para jantar e o seu(sua) namorado(a) estivesse enviando mensagens, lendo e sorrindo para o celular?”

Ela acrescentou: "Se for possível, deixe o celular em casa, no carro ou então desligue-o durante refeições, no cinema ou conversas importantes. Se não puder, limite o uso do dispositivo e já peça desculpas no começo do encontro por algum possível interrupção.”

4. Sexo

Há uma citação de Joel McHale, apresentador do programa de TV 'The Soup', que acho fantástica. Ele diz que a a melhor coisa do casamento é que "você pode transar como o(a) seu(sua) melhor amigo(a)”. A pior coisa? “Quando o(a) seu(sua) melhor amigo(a) não quer transar com você.”

É verdade — não há nada mais frustrante em um relacionamento do que os dois não estarem na mesma sintonia quando se trata do sexo. Para resolver essas questões, Nelson sugere um joguinho que ela chama de “O que eu invento sobre...”.

"Quando vocês começarem a discutir os problemas no sexo, comece dizendo ‘O que eu invento sobre isso é...’ e aí fale para o seu parceiro como você se sente em relação ao problema”, ela explica. “Por exemplo, se o problema é que vocês não estão fazendo sexo com muita frequência, comece dizendo, ‘A história que eu invento sobre a nossa vida sexual é que nós só transamos duas vezes por semana e eu sinto que você não está mais a fim de mim’. Quando chegar a vez do seu parceiro, você pode se surpreender com a forma com que ele ou ela está interpretando as coisas”.

Nelson disse que esse tipo de diálogo aberto, sem julgamentos, garante que cada pessoa tenha a chance de expor as suas reclamações. “O foco é entender a perspectiva do outro e como chegar a um acordo, e não apontar que está errado”, ela diz.

5. Tempo com as crianças

Desde jogos de futebol em cidades vizinhas até a construção de maquetes para feiras de ciências, é praticamente impossível dar conta da lista de tarefas dos filhos. E fica ainda mais difícil se o cônjuge não assume parte das responsabilidades.

Se você sente que é quase uma mãe solteira, está na hora de se manifestar, diz a especialista em relacionamentos Marina Sbrochi, autora do livro 'Stop Looking for a Husband: Find the Love of Your Life' ("Pare de procurar um marido: encontre o amor da sua vida", em tradução livre).

"Sente com seu cônjuge e mostre sua agenda diária para ele; vejam como podem dividir as tarefas para dar conta de tudo", ela diz. "Ainda que você separe apenas 15 minutos ininterruptos para passar com o seu filho por dia, já vai fazer uma diferença. Deixe o papai ficar encarregado de colocar as crianças para dormir e ler a historinha da noite. Deixe as crianças participarem do preparo do café da manhã. Priorize um tempo para a família fazer as refeições junto. Agende tempo com a família da mesma forma que agenda outras coisas que são importantes na sua vida."

6. Dinheiro

"O casamento tem a ver com amor; o divórcio, com dinheiro", segundo o velho ditado. O caminho para o divórcio, no entanto, começa muitas vezes com brigas feias sobre questões financeiras. (Uma pesquisa recente feita pela revista Money Magazine revelou que casais casados brigam mais sobre dinheiro do que sobre qualquer outra coisa.)

Então, o que você pode fazer para lidar com as brigas sobre finanças antes que elas levem à falência do seu casamento? Converse francamente sobre como cada um lida com o dinheiro, diz a consultora financeira Gabrielle Clemens.

"O dinheiro mexe com o emocional das pessoas e as brigas podem começar porque as pessoas que estão em um relacionamento têm visões diferentes sobre o dinheiro”, diz. “Você precisa ter um diálogo com seu parceiro sobre como a família de cada um tratava o dinheiro durante a sua criação, falando desde como o dinheiro era gasto, qual dos pais tomava as decisões financeiras, até perguntas sobre ser forçado a economizar para conseguir as coisas que precisavam ou queriam.”

Conhecer bem a relação emocional do seu cônjuge com o dinheiro deve ajudá-lo a entender a perspectiva dele quando surgirem as brigas, diz Clemens.

7. "Nada demais"

Você sabe como a coisa começa. O seu cônjuge grita ou resmunga de forma passiva e agressiva: “Por que tem tanta louça suja na pia? Será que sou só eu que tenho que lavar ouça por aqui?” Aí, como num piscar de olhos, vocês dois já estão naquele bate-boca e nenhum dos dois está disposto a ceder e encerrar o assunto.

É o tipo de briga por "nada" — sendo que o "nada" é apenas um substituto de questões muito maiores, diz Sbrochi.

"O nada provavelmente está disfarçando uma questão maior”, diz. “Quando ele diz ‘por que ninguém lava a louça?’, você pensa em todas aquelas vezes em que você se sentiu uma mera empregada da família. Afinal, o que são algumas louças comparado a tudo mais que você faz? Você fica p. da vida por causa disso.”

A próxima vez que uma questão aparentemente insignificante virar uma briga homérica, Sbrochi recomenda dar um passo atrás e pensar no que, de fato, foi o estopim da briga.

"Fique atento às vezes em que ‘nada demais’ acaba virando uma briga e anote o que você está sentindo naquela situação”, ela disse. “Talvez você gostaria de ter mais ajuda nas tarefas da casa e está se sentindo sobrecarregado. Ao invés de sofrer silenciosamente e depois acabar explodindo por uma coisinha boba, seja sincero e peça ajuda. Um ótimo relacionamento é uma troca e começa com a boa comunicação”.