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25/09/2014 09:39 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

Marina nega mudança na CLT, mas defende 'atualização' das leis trabalhistas, em entrevista no Bom Dia Brasil

Reprodução/G1

A candidata à Presidência Marina Silva (PSB) afirmou que não vai mudar as regras da CLT, apenas atualizar normas para que os trabalhadores informais tenham os mesmos direitos. A afirmação foi feita em entrevista aos jornalistas do Bom Dia Brasil, na manhã desta quinta-feira (25).

Questionada pelos jornalistas sobre quais seriam essas atualizações, Marina não foi específica. “Cerca de 20 milhões de brasileiros estão na informalidade. Estamos assumindo fazer um esforço para que essas pessoas tenham seus direitos garantidos”, disse.

A resposta da candidata foi, indiretamente, para Dilma Rousseff (PT). A campanha petista tem atacado o programa de Marina afirmando que ela pretende mudar as regras da CLT.

A hashtag #nemqueavacatussa foi criada, se apropriando de uma fala da presidente em que ela afirma ‘não mudo a CLT nem que a vaca tussa’.

Marina ainda elogiou as iniciativas para legalização das atividades informais, como a criação do Micro Empreendedor Individual, nas gestões de Fernando Henrique Cardoso e de Lula.

Além das questões trabalhistas, Marina foi questionada sobre como pretende recuperar os investimentos no país e fazê-lo crescer.

O corte dos gastos que geram "desperdício" de recursos públicos e a diminuição dos incentivos para a indústria, que, de acordo com a presidenciável, faz com que as empresas se tornem dependentes do governo, são algumas das propostas.

“Nós queremos qualificar melhor esses incentivos, para que eles possam ter contrapartida [das empresas].Será feito um diálogo com a indústria automobilística, por exemplo”, afirmou.

Ela não especificou se a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a compra de carros vai permanecer ou não.

Marina também ressaltou que não vai se ‘aventurar’ em política econômica, utilizando o mesmo tripé econômico criado no governo de Itamar Franco e mantido pelos governos FHC e Lula. A candidata aproveitou para criticar a atual presidente:

“Não vamos nos aventurar em política econômica. Há um processo dando certo desde Itamar. A Dilma é que se aventurou e o resultado é o nosso país com baixa credibilidade, pouco investimento, mantendo artificialmente os preços”, declarou.

Ainda falando de economia, Marina assumiu o compromisso de não elevar os gastos públicos acima do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e a manutenção da inflação em 4,5%.

Ela também se comprometeu a enviar ao Congresso, logo no primeiro mês de governo, uma proposta de reforma tributária.

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Emoção e pesquisas eleitorais

A candidata foi questionada por ter demonstrado ‘fragilidade’ ao chorar em entrevista por causa de críticas do ex-presidente Lula às suas propostas de governo. Ela respondeu relembrando sua trajetória de vida e ressaltando que líderes políticos choram e que isso não é sinal de fragilidade e sim de sensibilidade.

"O que me preocupa é o líder que não tem sensibilidade", disse.

Sobre a queda nas pesquisas eleitorais, Marina se mostrou confiante e disse que está muito feliz com o resultado, considerando as adversidades enfrentadas, como a morte de Eduardo Campos, a falta de tempo na TV e de investimentos na propaganda por ser de um partido pequeno.

“Eu só tenho a agradecer a capacidade do povo brasileiro de mostrar que quem ganha a eleição é a nova estrutura, a nova política”, finalizou.

A entrevista teve repercussão positiva e negativa nas redes sociais e a hashtag #MarinanoBomDiaBrasil ficou entre as mais comentadas: