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25/09/2014 12:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

Doleiro preso na Operação Lava Jato, Alberto Youssef assina acordo de delação premiada e depõe ao MPF no Paraná

Joedson Alves/Estadão Conteúdo

O doleiro Alberto Youssef, preso em março durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, assinou nesta quarta-feira um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) do Paraná. Após fechar o acordo, Youssef prestou seu primeiro depoimento que, no entanto, permanecerá em sigilo enquanto durarem as investigações.

Se as informações fornecidas por Youssef forem comprovadas, o acordo de delação premiada deverá ser homologado pela Justiça e o réu poderá ter como benefício uma redução de sua pena. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, ele não será colocado em liberdade imediatamente, mas terá de cumprir uma pena mínima de três anos em regime fechado.

Segundo o Estado de S.Paulo, sem a delação premiada ele poderia pegar até cem anos de prisão. As condições exatas do acordo com o MPF paranaense não foram reveladas.

A Operação Lava Jato, realizada em março, desmontou um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que movimentou cerca de R$ 10 bilhões, segundo a PF. O dinheiro teria como origem tráfico de drogas, corrupção, sonegação fiscal e desvio de verba pública.

Na mesma operação, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa também foi preso e assinou acordo de delação premiada. No início deste mês, a revista Veja revelou que, em seus primeiros depoimentos, ele já entregou nomes de mais de 60 políticos envolvidos com corrupção. Na lista, há diversos políticos importantes da base aliada do governo (PMDB, PT e PP) e até mesmo Eduardo Campos, o presidenciável do PSB morto em um acidente aéreo em agosto. As denúncias ainda precisam ser confirmadas.

Assim como no caso de Alberto Youssef, os depoimentos de Paulo Roberto Costa serão mantidos em sigilo até o final das investigações. Convocado pela CPI da Petrobras em 17 de setembro, Costa se recusou a responder a todas as perguntas dos parlamentares.

De acordo com o G1, o advogado de Youssef, o criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, decidiu deixar o caso por ser contra o acordo de delação premiada. Ele pretendia anular todas as provas da Operação Lava Jato que, para ele, são ilegais.

Contrariando a orientação de seu advogado, Youssef decidiu falar. Vem chumbo grosso aí.