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25/09/2014 17:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

Crise da água em SP: Alckmin diz que "não faz sentido", mas movimento sem-teto realiza ato contra a Sabesp

Divulgação/MTST

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) está realizando desde a tarde desta quinta-feira (25) um protesto nos arredores da sede da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista. A exemplo do protesto que terminou em violência em Itu (SP) no início da semana, o movimento reclama da falta de água já imposto em diversos bairros da cidade – o que o governo estadual nega há meses.

“Nós moradores da periferia já enfrentamos um péssimo serviço de fornecimento de água, cortes e contas abusivas, são constantes em nossas casas. A água, que deveria ser de todos, tornou-se um bem privado e muito lucrativo. Agora temos uma situação ainda pior! O racionamento já começou! E começou na periferia. Estamos enfrentando dias sem água. E quando a água chega é com uma cor estranha, gosto e cheiro ruins!”, diz o comunicado publicado na página do MTST no Facebook.


Uma das metas da manifestação dos sem-teto era ocupar o prédio da Sabesp, o que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou não fazer “nenhum sentido”. Para ele, a empresa está “suando a camisa” para garantir o abastecimento de água à população da Região Metropolitana. “Espero que não haja (a invasão). Não tem nenhum sentido. A Sabesp é uma empresa que está suando a camisa para enfrentar uma seca que é duríssima”, disse o governador depois de visitar o Parque Linear Várzeas do Tietê, na zona leste da capital.

O ato começou no Largo da Batata, em Pinheiros, por volta das 15h e partiu com destino à sede da Sabesp, na mesma região. Segundo a revista Veja, lideranças foram recebidas por diretores da empresa por volta das 17h. Mais tarde, os manifestantes bloquearam a Marginal do Pinheiros por alguns minutos, em pleno horário de pico do trânsito na via.

O ato ainda seguiu pela Avenida Faria Lima, com muitos retornando ao Largo da Batata por volta das 21h. Os sem-teto afirmam que o objetivo da manifestação “é cobrar soluções e denunciar o racionamento permanente que está sendo feito em bairros da periferia de São Paulo e a falta de respostas do governo em relação ao tema”.

Nos arredores do Largo da Batata e do prédio da Sabesp o policiamento foi bastante reforçado, desde o início da manifestação, o que acabou sendo alvo de ironia por parte do MTST.


De acordo com o movimento, uma lista de bairros afetados pelos cortes no abastecimento de água foi apresentada em uma reunião com Alckmin em julho, mas a entidade não obteve nenhum retorno do tucano. Desde o início da crise no Sistema Cantareira, em janeiro, a Sabesp e o governo têm negado racionamento de água, apesar das queixas da população.

Uma recente pesquisa Ibope, divulgada no início deste mês pelo jornal O Estado de S. Paulo, mostrou que 50% dos paulistanos relataram ter sofrido interrupção no abastecimento de água em suas casas nos últimos três dias. Em todo o Estado, o índice foi de 38%. De acordo com o levantamento, para 37% dos paulistas a culpa da falta d'água é da escassez de chuvas na região dos mananciais. Outros 14% responsabilizam o desperdício do consumidor, 13% culpam Alckmin, 13% debitam o problema às empresas de abastecimento e outros 8% à falta de investimentos.

Além da questão da água, o MTST afirma que o ato também tem como objetivo “denunciar os despejos que estão sendo feitos e os que estão previstos para as próximas semanas” na cidade, como o da ocupação denominada Chico Mendes, no bairro do Morumbi, zona sul da capital. “A Prefeitura de São Paulo e o governo estadual só têm apresentado a polícia como solução para as famílias despejadas”, afirmam as organizações.

Primeiro lote do volume morto acaba em novembro

Paulistanos, anotem aí: dia 21 de novembro. É essa a data apontada pelo secretário de estadual de Recursos Hídricos de São Paulo, Mauro Arce, como a de término do primeiro lote do volume morto do Sistema Cantareira. Ou seja, por pelo menos mais 52 dias o abastecimento está garantido na Grande São Paulo. Anteriormente, a Sabesp informava que essa cota tinha previsão de término em 27 de outubro.

A previsão leva em conta a situação de estiagem, caso não chova de maneira significativa até lá. Ao G1, Arce afirmou que as bombas de captação estão prontas para iniciar a captação de outra parte do volume abaixo das comportas na represa Jaguari-Jacareí. Entretanto, a segunda cota do volume morto ainda dependeria do término completo do atual lote, e de uma autorização da Agência Nacional de Águas (ANA), que aguarda a solicitação por parte do governo paulista.

De acordo com a Sabesp, o nível dos reservatórios do Cantareira está em 7,4% da capacidade nesta quinta-feira. O secretário de Alckmin mantém o otimismo para não precisar lançar mão do segundo lote. “Mês de setembro, outubro e novembro, não existe nenhum mês que não choveu durante 84 anos, alguma chuva vem”, comentou Arce.

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