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24/09/2014 12:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

Na ONU, Dilma Rousseff critica intervenções militares e pede reforma urgente no Conselho de Segurança

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A presidente Dilma Rousseff discursou na 69ª Assembleia Geral da ONU nesta quarta-feira (24), condenando os conflitos que assolam o Oriente Médio e algumas regiões da África e pedindo uma urgente reforma no Conselho de Segurança da Organização, aumentando sua representatividade.

"A cada intervenção militar, não caminhamos para a paz, mas assistimos aos acirramentos desses conflitos", disse ela, destacando a ampliação do número de vítimas civis e de crises humanitárias.

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Dilma apontou que o Conselho de Segurança vem encontrando dificuldades para resolver esses conflitos, e pediu uma reforma no órgão, que deve se tornar "mais representativo e legítimo, podendo ser também mais eficaz".

A defesa da reforma do órgão é uma das principais bandeiras da política externa brasileira. Assim como no ano passado, Dilma lembrou que o ano de 2015 marca o 70º aniversário das Nações Unidas, data propícia, segundo ela, para realizar a reforma.

Atualmente, o Conselho é composto por cinco membros permanentes (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China), que tem poder de veto, e dez membros não permanentes, com mandatos de dois anos.

A presidente também falou sobre o conflito entre Israel e a Palestina, e pediu que o conflito seja solucionado, "e não precariamente administrado como vem sendo".

O discurso de Dilma, em termos de assuntos internacionais, converge com o do secretário-geral geral da ONU, Ban Ki-moon, que abriu a assembleia falando que o ano de 2014 vem sendo “terrível” sobre as violações contra os direitos humanos que vem ocorrendo em 2014.

“Tem sido um ano terrível para os princípios da Carta da ONU, desde bombardeios, até decapitações e ataques à escolas da ONU”, disse ele fazendo referência aos conflitos na Síria e a Faixa de Gaza.

“A fragilidade dos Estados e das instituições ao redor do mundo nunca foi mais aparente”, disse o secretário.

Ele pediu que os estados-membros se preocupem com as violações antes que elas aconteçam.

“Nossos corações estão pesados com mortes inexplicáveis de inocentes”, afirmou. Segundo o secretário, o número de refugiados e deslocados atualmente no mundo é o mais alto desde o final da 2ª Guerra Mundial.

“O extremismo requer uma resposta decisiva da comunidade internacional”, disse Ban Ki-moon.

É tradição que a Assembleia Geral seja aberta pelo chefe de estado brasileiro, desde 1947, quando Oswaldo Aranha foi o primeiro a discursar.

No ano passado, quando discursou na 68ª sessão, Dilma criticou duramente a espionagem norte-americana e propôs o estabelecimento de marco civil multilateral para a governança e o uso da internet na proteção de dados.

Economia

Ainda falando da representatividade dos países em desenvolvimento, a presidente pediu maior poder de voto das economias emergentes no Banco Mundial e no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Segundo Dilma, há um descompasso entre a importância desses países na economia mundial e sua participação no processo decisório das instituições que, segundo ela, podem perder legitimidade e eficiência.

Conselho de Segurança

Após a abertura da Assembleia, está programada uma sessão de cúpula do Conselho de Segurança, no período da tarde.

A sessão será presidida pelo presidente dos EUA Barack Obama, pois o Conselho neste mês está sob a presidência americana.

Segundo fontes diplomáticas, ele deverá votar uma resolução sobre "combatentes terroristas estrangeiros", para tentar evitar a participação de pessoas de outras nacionalidades em grupos radicais considerados terroristas, como o Estado Islâmico.

O Brasil não tem voto no Conselho, mas deve acompanhar de perto o debate.

Com informações da Agência Brasil