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24/09/2014 21:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

Conselho de Segurança da ONU aprova resolução que enrijece leis antiterror

Depois de inúmeros relatos de europeus e até brasileiros deixando seus países para servir o grupo radical Estado Islâmico, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade uma nova medida antiterror nesta quarta (24).

A reunião, convocada pelos EUA, que atualmente exercem a presidência do Conselho, aconteceu durante a Assembleia Geral da ONU.

A resolução determina que todos os Estados membros das ONU assegurem que sua legislação interna criminalize cidadãos que viajem para outros países com o objetivo de integrar organizações terroristas.

Quem cometer ou planejar atos terroristas em território estrangeiro, receber ou oferecer treinamento terrorista ou recrutar militantes deve estar sujeito a punições não só no âmbito do internacional, mas também no direito interno de seu país de origem.

A resolução também se estende a quem financiar a viagem de cidadãos para integrar milícias.

Hoje, calcula-se que mais de 3 mil europeus tenham deixado seus países para lutar ao lado do Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

A questão entrou no centro da agenda desde que a milícia radical começou a divulgar vídeos com decapitações de civis europeus e americanos, em retaliação à ofensiva militar ocidental à atuação do Estado Islâmico.

O vídeo mais recente retratou a morte de um cidadão francês sequestrado na Argélia, em resposta ao envolvimento da França com a ofensiva militar no Iraque.

"Histórico"

O presidente Barack Obama classificou o texto com "histórico" durante a reunião, que aconteceu dois dias depois que os EUA começaram a bombardear a Síria para enfrentar o Estado Islâmico.

"Os países devem evitar e suprimir o recrutamento, a organização e a entrega de armas a combatentes terroristas estrangeiros, assim como o financiamento de suas viagens e atividades", disse o presidente americano.

O discurso de Obama parece contraditório quando confrontado com sua iniciativa de armar rebeldes da milícia oposicionista Exército Livre da Síria para enfraquecer o governo de Bashar Al-Assad.

Acusada de patrocinar rebeldes separatistas no leste da Ucrânia, a Rússia, país que tem poder de veto por ser um membro permanente, não só descartou a abstenção como votou a favor da resolução.

(Com Reuters e Associated Press)