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23/09/2014 22:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:57 -02

Luciana Genro lança programa de governo ‘da esquerda de verdade' em São Paulo

CARLA CARNIEL/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

A candidata do PSOL à Presidência da República, Luciana Genro, lançou o seu programa de governo nesta terça-feira (23). Com base em três diretrizes fundamentais, a socialista tornou-se a segunda de um total de 11 presidenciáveis nas eleições deste ano a apresentar oficialmente um programa documentado, a disposição do eleitor para consulta.

Na apresentação, realizada em um hotel de São Paulo perante militantes e imprensa, Luciana manteve o tom bastante crítico contra os adversários, a começar pelo PT. “O PT deu continuidade a um modelo econômico que tem trazido completa subordinação da esfera produtiva à esfera financeira”, disse.

A candidata do PSOL afirmou que o atual modelo coloca os interesses do capital financeiro acima dos interesses da economia real, o que, segundo ela, resulta em desemprego e arrocho salarial. “A lógica econômica que o Brasil vive precisa ser rompida e nossa proposta é de ruptura. Nossa primeira política econômica é a eliminação dessa lógica de esforço produtivo para pagar os juros da dívida”.

A questão econômica é justamente trabalhada no eixo 1 (Política Econômica e Modelo de Desenvolvimento), no qual o programa propõe uma auditoria na dívida pública do Brasil e reforça pontos já abordados por Luciana, como “imposto sobre as grandes fortunas” e políticas efetivas para programa assistencialistas como o Bolsa Família se tornarem desnecessários, “mais eficientes para redução da pobreza”.

Eixos políticos e de direitos humanos

Os direitos para a comunidade LGBT – como a criminalização da homofobia – estão dispostos no eixo 3 (Mais e Melhores Direitos), que ainda trata da reforma agrária, da legalização do aborto e das drogas – em comum, todos esses campos serão discutidos e implementados, segundo o programa do partido. Ainda consta a desmilitarização da polícia na página da candidatura.

O eixo 2 (Sistema Político e Democracia) engloba basicamente a reforma política, a qual prega o fim do “eterno ‘toma-lá-dá-cá’ no Congresso Nacional”. A proposta de Luciana Genro aqui se baseia na representatividade das vozes que ecoaram pelas ruas durante os protestos de 2013. “Confiamos nessa capacidade de mobilização para implementar as mudanças que a gente defende”, disse Luciana durante o lançamento.

Entre os demais pontos do programa de governo do PSOL, destaque para o fim do analfabetismo em quatro anos; garantia de 10% da receita corrente bruta da União para a saúde; manutenção e ampliação dos direitos trabalhistas (mais concursos e fim do fator previdenciário); concessão de asilo político a ‘perseguidos’ como Edward Snowden; reforma no funcionamento de entidades esportivas; e fim dos subsídios às termelétricas.

O escritor e apoiador do partido, Vladimir Safatle, resumiu o pensamento da militância sobre o produto final – aproveitando para dar uma alfinetada na rival Marina Silva (PSB).

Outros nove candidatos à Presidência ainda não lançaram os seus programas de governo. Resta saber se algum deles ainda o fará antes das eleições de 5 de outubro.

(Com Estadão Conteúdo)

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