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23/09/2014 17:48 -03 | Atualizado 26/01/2017 20:50 -02

Apologia ao estupro por estudantes da UFMG causa polêmica e revolta nas redes sociais

Lucas Braga / UFMG

“Não é estupro, é sexo surpresa”. A deplorável frase foi proferida por um grupo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), formado por 30 e 35 pessoas, em um evento no último sábado (20) em Belo Horizonte. Tudo aconteceu em um bar e foi denunciado pela estudante Luísa Turbino, de 23 anos, em sua página no Facebook.

“Hoje o Rei do Pastel foi dominado por uma turma de idiotas, componentes da Bateria da Engenharia da UFMG (que vergonha!), que em coro cantavam: ‘Não é estupro, é sexo surpresa’, dentre outras imbecilidades machistas, misóginas e homofóbicas. Mais triste ainda foi ver mulheres envolvidas na cantoria. E mais triste ainda perceber que ninguém mais se sentiu incomodado”, escreveu.


A postagem, datada de domingo (21) e que ainda critica a direção da UFMG, taxada por “ser conivente com esse tipo de comportamento” pela estudante, obteve até a tarde desta terça-feira (23) mais de 1.250 curtidas e quase 150 compartilhamentos.

Muitos dos envolvidos seriam integrantes da Bateria Engrenada da Escola de Engenharia da UFMG, que acompanha equipes da universidade em eventos esportivos.

Em entrevista ao jornal O Estado de Minas, o estudante Bruno Saúde, capitão da Bateria Engrenada, negou que canções com tal teor machista e homofóbico integrem as músicas tocadas pelo grupo.

“Fizemos um show naquele dia e alguns amigos foram fazer uma confraternização no local. Por lá, encontraram outras pessoas. Mas, independentemente, do que fizeram, as canções não têm relação com a banda”, comentou o estudante.

No fim da noite desta segunda-feira (22), a Bateria Engrenada divulgou uma nota em que repudia “toda e qualquer forma de comportamento homofóbico, misógino e machista”. Além disso, a organização universitária informou ainda que, “caso comprovado que algum membro de qualquer das instituições tenha participado do ato, este será devidamente identificado e sofrerá as devidas sanções”.


Ao jornal O Tempo, o advogado Gustavo Tadeu Dijos, membro da Comissão de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Minas Gerais (OAB-MG), disse que o caso pode ser tipificado como incitação à prática de crimes, o que rende penas aos eventuais responsáveis que variam entre três e seis meses de prisão, além da possibilidade de multa.

Já a direção da UFMG informou, em nota, que “vai acolher a denúncia da estudante e avaliar o conteúdo para dar o tratamento adequado”, uma vez que “desaprova qualquer tipo de comportamento discriminatório, seja ele de caráter machista, sexista, racista, homofóbico, entre outros, que desrespeitem a dignidade humana”.

A nota fala ainda na resolução de maio deste ano, que proibiu os trotes estudantis que “evidenciem práticas discriminatórias”. Para quem não se recorda, um trote racista praticado por estudantes da UFMG em agosto rendeu a expulsão de um dos alunos responsáveis e a suspensão de outros três por um semestre.

"Pra que ninguém resolva se calar diante a situações como essa. É denunciando esse tipo de absurdo que o debate é gerado e, quem sabe, atitudes tomadas. Excelente!", voltou a escrever Luísa Turbino na segunda-feira. Tá dado o recado!

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