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21/09/2014 12:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Ocupação Laerte reafirma a genialidade da artista

André Seiti/Itaú Cultural/Divulgação

Aos 63 anos, a cartunista e ilustradora Laerte Coutinho é senhora suprema de seu próprio labirinto. Labirinto construído por 40 anos e guardado não apenas pelo Minotauro, mas também por piratas que navegam o Tietê, por um homem chamado Hugo que sempre encontra problemas no dia a dia, e até mesmo por Deus. Quem se atreve a percorrer o labirinto jamais escapa — uma vez que caminha pela obra de Laerte, você fica preso para sempre. Preso por opção.

OCUPAÇÃO LAERTE:

  • 20/09 a 2/11
  • ter. a sex., das 9h às 20h; sáb., dom. e feriados, das 11h às 20h
  • Itaú Cultural (Av. Paulista, 149)
  • grátis
  • site do evento

"Nesse labirinto que é a sua obra, existe uma criatura que ronda, tal como no mito do Minotauro. Inquietação ou angústia, um superego solto, uma entidade sem sexo, que acuada, ataca. Vive dentro do artista ou é parte dele. Exoesqueleto que o controla e o direciona. Pode ser o próprio Laerte, criatura entre nós. Ele, meu familiar pai, um monstro", diz o texto do filho, o também quadrinista Rafael Coutinho, em uma das paredes do labirinto da Ocupação Laerte, que abre hoje ao público.

A mostra é a 20ª edição da Ocupação, projeto do Itaú Cultural que busca fomentar o diálogo da nova geração de artistas com os criadores que os influenciaram. No labirinto de Laerte, mais de 2 mil obras da artista estão expostas — peças que levantam questões políticas, filosóficas e psicológicas de nossa sociedade. A curadoria é assinada pelo filho e cenografia é de Fred Teixeira.

Durante o percurso no labirinto, o visitante testemunha os momentos-chave na construção da obra de Laerte — sua participação no movimento sindical e na luta pelas eleições diretas; sua batalha pela anistia; a parceria com Angeli, Glauco e Toninho Mendes na Circo Editorial, um dos pontos fundamentais da história da HQ brasileira; a mudança de estilo gráfico a partir de 2004 e o ativismo nas questões de gênero.

Por tudo isso, "Laerte é tão importante quanto Robert Crumb e Millôr Fernandes”, afirma André Dahmer, autor dos Malvados, no site oficial da mostra.

Ocupação Laerte