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21/09/2014 11:02 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Alberto Youssef enviou R$ 1 bilhão para o exterior, afirma jornal

Joedson Alves/Estadão Conteúdo

O doleiro Alberto Youssef, preso em março pela Polícia Federal por participação em esquema de lavagem de dinheiro, enviou US$ 444,6 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) a instituições financeiras de 24 países. As informações são do jornal O Globo.

Os envios duraram aproximadamente 50 meses — de 2008 até março passado, quando Youssef, Paulo Roberto Costa e mais duas dezenas de colaboradores foram presos na Operação Lava Jato —, o doleiro realizou 3.649 operações ilegais, por meio de seis das suas empresas de fachada — três de informática e três de química.

"Nada mal para um ex-presidiário", diz o texto, em referência ao período que Youssef permaneceu preso. No final dos anos 1990, o doleiro fora flagrado em esquema de desvio de recursos do banco estatal do Paraná (Banestado) para campanhas eleitorais. Ficou meses na cadeia, fez acordo de delação premiada e saiu da prisão em 2003.

Liberto, associou-se ao deputado federal José Mohamed Janene, líder da bancada do PP na Câmara. Janene administrava o caixa dois do partido que, à época, tinha saldo de US$ 2 milhões graças a repasses de Marcos Valério, operador do mensalão.

Com trânsito livre entre líderes partidários, Youssef fazia parte do rol que partilhava o controle das áreas-chave das empresas estatais no governo Lula. "Seu patrocínio, por exemplo, foi decisivo para Lula promover o então gerente Paulo Roberto Costa à diretoria de Abastecimento da Petrobras, com poder de influenciar contratos da estatal no aluguel de navios e plataformas marítimas, na manutenção de gasodutos e na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco", lembra o texto.

Em novembro, a refinaria deve ser inaugurada. Custou US$ 20,1 bilhões, nove vezes mais que o previsto.