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19/09/2014 15:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Promotores alemães acusam ex-guarda de Auschwitz de ser cúmplice em 300 mil mortes no campo de concentração

Getty Images

Promotores alemães acusaram um homem de 93 anos por ser cúmplice no assassinato de pelo menos 300 mil pessoas que foram enviadas para o campo de concentração de Auschwitz.

Oskar Groening é acusado de ajudar a operar o campo de extermínio na Polônia, entre maio e junho de 1944, quando cerca de 425 mil judeus da Hungria foram levados para o local e, pelo menos 300 mil, mortos.

Segundo os promotores, seu trabalho consistia em manipular a bagagem e os pertences das vítimas, e coletar e contabilizar o dinheiro roubado dos judeus.

Segundo o jornal Haaretz, de Israel, ele foi “Ele ajudou o regime nazista a se beneficiar economicamente, e apoiou assassinatos sistemáticos”, disse a justiça de Hannover em um comunicado.

O advogado do acusado não quis comentar as acusações.

Groening falou abertamente sobre seu tempo no campo à revista Der Spiegel, em 2005. Ele afirmou, na ocasião, que presenciou atrocidades, mas que não cometeu nenhum crime.

Ele descreveu, na entrevista, um episódio onde outro guarda do campo calou um bebê que chorava “esmagando sua cabeça contra um caminhão”.

Segundo os promotores, ele deve ser julgado porque sabia que os prisioneiros que chegavam ao campo seriam mortos em câmaras de gás.

“Eu descreveria meu papel como uma pequena peça na engrenagem. Se isso pode ser descrito como culpa, então eu sou culpado, mas não voluntariamente. Legalmente falando, eu sou inocente”, afirmou ele em 2005, segundo o Haaretz.

Um tribunal regional deve decidir se ele irá a julgamento ou não.

Groening é um dos 30 guardas de Auschwitz que são investigados por promotores estaduais a partir de uma orientação de investigadores federais. Um outro caso envolvendo o ex-guarda foi arquivado e 1985 em Frankfurt, por falta de provas.

Seu caso é o quarto investigado na região de Hannover – dois foram arquivados porque os suspeitos foram considerados inaptos para o julgamento, e outro foi fechado quando o suspeito morreu.