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18/09/2014 13:26 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

PNAD: desemprego cresce pela primeira vez no Brasil desde 2009 e atinge 6,5% da população economicamente ativa

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Pela primeira vez desde 2009, a taxa de desemprego no Brasil cresceu, apontam dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (18). O índice, que era de 6,1% do total da população ativa em 2012, subiu para 6,5% em 2013.

O levantamento apontou que, em 2013, de um total de 102,5 milhões de pessoas economicamente ativas, 95,9 milhões de brasileiros estavam ocupados, sendo que o número de homens era de 4,9 milhões e o de mulheres, 41 milhões. Já o número de pessoas classificadas como “desocupadas”, ou seja, que não estavam ocupadas e tomaram providências para conseguir um trabalho, foi estimado em 6,7 milhões de pessoas.

Entre os desocupados, 68,8% já haviam trabalhado em algum momento da vida, ao passo que 31,2% nunca participaram do mercado de trabalho. O índice de negros é maior do que o de brancos entre os desempregados: 60,6% das pessoas que não tinham emprego em 2012 declararam-se negros ou pardos ao IBGE. Com relação a gênero, as mulheres são maioria entre os brasileiros desempregados, com um índice de 56,9%.

Apesar do aumento da taxa de desemprego em números gerais, o número de pessoas empregadas também subiu, com um aumento de 0,6% em relação aos dados de 2012. Por outro lado, o contingente de pessoas desempregadas aumentou 7,2% neste período.

O setor agrícola foi o mais atingido, com que queda de 5,4% no número de pessoas ocupadas - a indústria também registrou uma queda de 3,5%. Já os setores de serviços, comércio e construção registraram aumento de 2,1%, 1,1% e 5,9%, respectivamente.

Para Maria Maria Lúcia Viera, gerente da Pnad, o aumento na taxa de desemprego subiu devido à alta procura por trabalho somada a uma fraca geração de emprego. Gabriel Ulyssea, economista do Ipea, endossa a afirmação de Vieira, afirmando que o aumento do desemprego era “esperado em algum momento" por conta do baixo crescimento econômico do Brasil nos últimos anos.

Cabe ressaltar que desde que a Pnad iniciou os levantamentos, que traçam uma radiografia da sociedade brasileira, em 2004, a taxa de desemprego caiu de 8,9% para os atuais 6,5% registrados no último ano.

Em comparação com os países mais desenvolvidos, o índice de desemprego do Brasil segue baixo. Segundo dados da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o percentual de pessoas desempregadas há mais de um ano é de 25,9% nos Estados Unidos, sendo ainda mais crítico em países europeus. Na Grécia, o índice é de 67,5%, na Irlanda é de 60,6%, na Itália, 56,9% e em Portugal, 56,3%.