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18/09/2014 18:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Astrônomos descobrem ENORME buraco negro em galáxia-anã

Nasa/ESA

Astrônomos de uma equipe internacional acabam de descobrir uma grande surpresa em uma galáxia pequena.

Enquanto investigavam a galáxia-anã M60-UCD1* -- uma das menores galáxias que a ciência conhece -- os cientistas encontraram indícios de um buraco negro monstruoso. A massa do buraco corresponde a cinco vezes a do buraco que está no centro da Via Láctea.

Com esta descoberta, a M60-UCD1 ganha o troféu de menor galáxia do universo dotada de um buraco negro supermaciço.

O buraco negro que está no centro da nossa galáxia tem a massa de cerca de 4 milhões de sóis. É bastante pesado, mas não passa de um centésimo da massa total da Via Láctea. Já o buraco negro que fica no centro da M60-UCD1 tem a massa de 21 milhões de sóis, e representa mais de 15% da massa total da galáxia.

Apesar de ter apenas um quinhentésimo do diâmetro e um milésimo da massa da nossa galáxia, a M60-UCD1 é muito densa: os 140 milhões de estrelas que ali moram vivem bem apertadinhas.

Pra se ter uma noção: se nós morássemos na M60-UCD1, iríamos ver mais de 1 milhão de estrelas ao olhar para o céu durante a noite. Aqui da Via Láctea, nós não vemos mais de 4 mil estrelas.

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A descoberta sugere que possa haver outras galáxias compactas pelo universo recheadas com enormes buracos negros. Na verdade, pode ser que essas galáxias-anãs possam ser um "teco" que sobrou de antigas galáxias que acabaram se despedaçando ao colidirem umas com as outras.

Na foto, as galáxias M60, M60-UCD1 e NGC 4647 (continue lendo após a foto):

galáxias

Os cientistas acreditam que a M60-UCD1 era uma galáxia grande, com cerca de 10 bilhões de estrelas, quando passou bem perto de uma outra galáxia, a M60. Na colisão, a M60 acabou "roubando" todas as estrelas e a matéria escura que compunham a parte mais exterior da M60-UCD1. Tanto a M60 quanto a M60-UCD1 estão a 50 milhões de anos-luz da terra.

"Não conhecemos nenhuma outra forma de haver um buraco negro tão grande em um objeto tão pequeno", disse o astrônomo da Universidade de Utah Anil Seth, autor do estudo publicado na revista Nature nesta quarta (17), em comunicado.

Veja, abaixo, uma simulação desse movimento (continue lendo após o vídeo):

O time de astrônomos liderados por Seth usou o telescópio Hubble e uma série de outros equipamentos para medir a massa do buraco.

Acredita-se que grandes buracos negros -- aqueles cuja massa corresponde a ao menos um milhão de estrelas -- sejam o centro de muitas galáxias.

Entenda

O que são buracos negros? Bem, para explicar de uma forma bastante grosseira, são trecos tão concentrados que engolem até mesmo a luz.

Estrelas são um amontoado de gás que a gravidade, uma força que age de fora para dentro, mantém junto. Apertados pela força gravitacional, os átomos de hidrogênio do núcleo estelar começam a reagir, produzindo muita energia -- é a fusão nuclear.

Como a energia que vem dessas explosões age de dentro para fora, ela consegue contrabalancear a ação gravitacional, e fica tudo certo. Só que quando a estrela fica muito velhinha e já não há mais combustível para a fusão nuclear, ela não consegue mais compensar a gravidade.

Durante esse processo, o núcleo da estrela vai sendo cada vez mais compactado.

Se ela for uma estrela realmente grande -- mais ou menos 20 vezes maior que o sol -- o seu núcleo fica tão, mas tão denso que nem mesmo a luz -- feixe de partículas que circula na maior velocidade existente segundo as leis da física -- consegue escapar da sua força gravitacional. Felizmente, essa força não chega muito longe. Só quem fica na beirinha corre o risco de ser puxado para... bem... para algum lugar.

*UCD é a sigla para "ultra compact dwarf", ou seja, galáxia-anã ultra compacta.