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16/09/2014 21:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Anticomunista, cantora e fã de teorias: candidata Denise Abreu mostra o seu lado ‘Jair Bolsonaro' nestas eleições

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Você já viu essa foto acima em algum lugar. A figura central chama-se Denise Abreu e é candidata ao posto de deputada federal pelo Partido Ecológico Nacional (PEN). Uma volta a Brasília em grande estilo ela planeja, caso eleita. E para obter tal objetivo, a ex-procuradora do Estado de São Paulo vem lançando mão de tudo.

Em um passado recente, Denise foi diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Deixou o cargo após o acidente com o Airbus da TAM, em Congonhas, em 2007 e em meio à crise no setor aéreo. Meses depois, em 2008, foi fotografada fumando um charuto, em uma festa de casamento na Bahia, enquanto passageiros sofriam com cancelamentos pelo País, conforme noticiou a revista Época na ocasião.

A questão aérea é um dos motes de Denise nessas eleições. No mês passado, dias após o acidente aéreo que matou o então candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB), prestou solidariedade e pegou carona no debate, para se defender e atacar o governo federal e diretamente o PT, partido que a ajudou em Brasília entre 2003 e 2007.

“Eu tenho resposta pra tudo!”, enfatiza Denise, em um vídeo que circulou (e sugeriu) teorias conspiratórias sobre os acidentes aéreos da TAM e da Gol. E “por saber demais”, acabou virando o que a própria chamou de ‘bode expiatório’ dos petistas por tudo aquilo que ela teria testemunhado durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O vídeo é longo e caí como uma luva para quem “defende a retirada de toda a esquerda do poder”, como Denise mesma diz. Não por acaso, surge o nome do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) na conversa. E, ideologicamente, não é nenhum exagero ver a ex-diretora da Anac como um ‘Bolsonaro de saias’.

“Vamos rumo a nos tornarmos uma Cuba dois”, completa, para escancarar, se o eleitor não percebeu, que ela é uma genuína anticomunista e ‘ultradireitista’.


Ah, então ela estaria mais alinhada com o PSDB, certo? Não exatamente. Ela tentou inclusive vetar o registro da candidatura à Presidência de Aécio Neves. Ela queria ser candidata também (outra coincidência com Bolsonaro), mas o PEN resolver firmar aliança com os tucanos. Denise entrou na Justiça Eleitoral e contestou o posicionamento do partido, o que atrasou em 20 dias o registro de Aécio. Acabou derrotada por “falta de provas”, conforme relatou o ministro João Otávio de Noronha.

Polêmica, Denise estabeleceu como limite de gastos a ‘modesta’ marca dos R$ 7 milhões, mais do que o dobro do seu patrimônio declarado de R$ 2,4 milhões. A candidatura chegou a ser contestada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), mas no momento aparece como válida no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os talentos jurídicos a ajudaram até aqui no âmbito eleitoral, mas terão que aparecer com mais ênfase na luta contra a pena de 24 anos pedida pelo procurador da República Rodrigo de Grandis por conta do acidente da TAM. Enquanto o caso prossegue em andamento, ela vai praticando outros talentos, como o da música.

Uma das ‘composições’ que ela tornou pública é uma paródia do jingle de campanha da presidente Dilma Rousseff (PT). Sim, deixamos o melhor para o final.

Será que o Bolsonaro aprovaria a melodia ‘singular’?

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