COMPORTAMENTO
11/09/2014 17:18 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

Quem é o autor do anúncio enigmático na Folha de hoje?

Os leitores do jornal Folha de S.Paulo encontraram hoje, nas páginas B3 (Mercado) e C3 (Cotidiano) o seguinte anúncio:

O teor enigmático do texto — até mesmo messiânico — chamou a atenção de algumas pessoas nas redes sociais:

Aqui na redação do Brasil Post, a reação não foi diferente. Por isso, fui atrás do autor do "livro mais importante dos últimos 5.000 anos, cuja publicação está sendo aguardada por nada menos do que 7 bilhões de humanos". Liguei para o número indicado no anúncio — eu viria a saber que, até às 13:39, horário da minha ligação, outras 12 pessoas haviam feito o mesmo, atraídas pela oportunidade estampada no jornal.

Do outro lado da linha, ouço uma voz calma. Serena, até. Imagino que ela pertença a um menino, alguém talvez mais novo que eu. Entretanto, encontro Luís Marcelo Freddo, sorocabano de 42 anos que dá aulas de matemática e tem algumas coisas a dizer aos líderes mundiais.

"A sociedade humana vive uma problemática de miséria, doenças, guerras... Eu via isso como quem vê um problema matemático e, hoje, cheguei à conclusão: a humanidade não vai encontrar uma resposta", diz. Para ele, os esforços não são suficientes — e alguns sequer têm interesse em encontrar uma resposta.

Por isso, Luís Marcelo escreveu 22 livros com propostas para salvar a humanidade. Três dos 22 livros epistolares já foram publicados em formato digital: Carta para a humanidade A — Versão Little Boy, Carta para a humanidade B — Versão Comando Delta e Carta para a humanidade C — Versão Fat Man. Uma versão integral do primeiro volume está disponível para download na página www.cartaparaahumanidade.com.br.

Sua ideia é apresentar a Carta para a humanidade a todos os chefes de Estado e povos, a fim de que, juntos, possamos construir um futuro melhor. Ele percebe que "todo mundo quer apresentar a solução" para os problemas contemporâneos, mas "ninguém tem uma resposta". Para Luís Marcelo, "somos hoje um rascunho de sociedade, e não uma sociedade plena". Para isso, é preciso pensar na relação entre o ser humano e a natureza (tanto a natureza interna quanto a externa).

Luís Marcelo afirma que as ideias presentes na obra "são fruto da percepção de mundo". Um mundo que "nitidamente caminha para o caos pleno". Ele começou a pensar nas respostas para os males que nos afligem em 1992. Naquele ano, Luís Marcelo tinha 20 anos e acabara de passar pela experiência de perder sua mãe, a quem "era muito apegado". Passou pelo luto de maneira sofrida e parou de comer. Teve anorexia; em seguida, uma parada cardíaca. Foi trazido de volta à vida pelos médicos. Neste momento, "despertei para o mundo", lembra.

Seu desejo de mudar o mundo pode parecer uma insanidade — loucura da qual já comungaram diversos falsos profetas nas esquinas da História humana —, mas Luís Marcelo acredita no que escreve. Tanto que dedicou tempo e muito dinheiro à sua ideia. Os livros foram escritos entre agosto de 2001 a setembro de 2011. Nessa década debruçado sobre a ideia de ajudar o mundo, Luís Marcelo afirma ter gasto mais de R$ 200 mil. "Eu tinha um apartamento com meu irmão em São Paulo. Vendi minha parte para investir no projeto", comenta. O dinheiro foi usado para pagar editoração e pequenas tiragens dos livros.

A maioria daqueles que puderam ler algum exemplar dessas pequenas tiragens reconhece nas ideias ali expostas algum mérito. De acordo com Luís Marcelo, "20% dos leitores me acharam louco, enquanto os demais 80% viram que ele continha conceitos pertinentes, válidos, até mesmo geniais".

Foi isso que o motivou a gastar R$ 4 mil pelos dois anúncios da Folha de hoje: procura um empresário para entrar como sócio do projeto de salvar o mundo. Em miúdos, deseja que o primeiro de seus 22 livros, que hoje existe em formato digital, seja impresso e saia em formato físico. Somente assim conseguirá, por exemplo, ir ao Programa do Jô falar sobre suas ideias.

"O livro tem 320 páginas e eu penso em uma tiragem inicial de 10 mil exemplares", diz. "Sei que é uma grande tiragem, mas também conheço o potencial do livro." Antes de publicar o anúncio na Folha e optar pela sociedade, procurou cinco editoras que pudessem se interessar pela obra. Elas recusaram.