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10/09/2014 16:07 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

'Vencemos as eleições e seremos governo ou perdemos e seremos oposição', promete Aécio Neves

MARCOS DE PAULA/ESTADÃO CONTEÚDO

Ao criticar o discurso de Marina Silva (PSB) de que vai governar com os melhores quadros de todos os partidos, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, não cogitou a hipótese de o PSDB ceder nomes para um eventual governo da ex-senadora. "Ou vencemos as eleições e seremos governo, ou perdemos as eleições e seremos oposição", afirmou o tucano, em entrevista a jornalistas depois de participar de sabatina promovida pelo jornal O Globo.

Após ser alçada à cabeça de chapa do PSB após a morte do ex-governador Eduardo Campos, Marina desbancou o senador tucano do segundo lugar das intenções de voto e pode ameaçar sua ida para o segundo turno da disputa presidencial.

Aécio reiterou a "preocupação" com um possível governo de Marina, que dê prioridade a pessoas, sem levar em conta a relação institucional entre os partidos.

Na entrevista, Aécio fez questão de lembrar que a ex-senadora não apoiou o tucano José Serra nas eleições passadas, vencidas pela presidente petista Dilma Rousseff.

"Lamentei muito ela não ter apoiado no segundo turno [o Serra], talvez hoje não estivéssemos nessa situação", frisou, evitando falar sobre apoios no segundo turno deste pleito. E afirmou que tem o melhor time. "As pessoas precisam saber que não é eleição para homenagem, é para virada consistente sem riscos."

Petrobras

O candidato do PSDB afirmou durante sabatina que, caso eleito, irá "tirar a Petrobras da política", acrescentando que o pré-sal "é um tesouro que nós temos".

Segundo ele, o Brasil perdeu um tempo enorme nos últimos cinco anos neste setor, pois foram investidos US$ 300 bilhões no mercado de petróleo e nada no País.

"Vou tirar a Petrobras da política, [a companhia] vai ser ocupada por quadros qualificados." O tucano afirmou ainda que o Brasil perdeu tempo enorme, do período de transição dos modelos de concessão, ressaltando que "o que está hoje produzindo no pré-sal começou a ser produzido no governo FHC".

Questionado sobre quais medidas amargas poderiam ser tomadas pelo seu governo para a retomada do crescimento econômico, respondeu que o governo atual "já fez todas [as medidas amargas]". "Foram tomadas por esse governo que fez [a economia] desandar. O meu governo será da previsibilidade." Indagado sobre as primeiras ações de seu eventual governo nessa área, citou a "simplificação do sistema tributário".

Aeroporto

Ao comentar a situação em São Paulo, onde o correligionário Geraldo Alckmin lidera as pesquisas para o Palácio dos Bandeirantes e sua candidatura está em terceiro lugar, e também sobre o fato de não estar em primeiro lugar nas pesquisas no Estado em que governou por dois mandatos consecutivos, Minas Gerais, Aécio disse acreditar que é possível recuperar o voto do eleitorado que deseja a mudança. "Nós temos que construir aqui um novo ambiente econômico."

Aécio também rebateu no final da sabatina promovida pelo O Globo as acusações do uso do aeroporto na cidade mineira de Cláudio. "Isso é desinformação geral", disse, reiterando que as obras foram acompanhas pelo Ministério Público.

"Minas tinha 226 estradas sem ligação. E eu fiz todas. Só não fiz nas estradas federais. E provavelmente tem alguém da minha família morando lá, mas ninguém reclamou disso", disse, sobre o fato de o aeroporto em Cláudio ter sido construído nas terras desapropriadas de seu tio.

Segundo o tucano, todas as obras que ele fez na gestão do governo de Minas Gerais "foram muito aprovadas". "Tanto que saí do governo com 92% de aprovação", emendou.

E voltou a dizer que a sua candidatura e dos aliados do PSDB "é um caminho seguro" para o País.

"A mudança que mais de 70% dos brasileiros clamam não se dará apenas nas eleições, se dará no primeiro dia do nosso mandato. Com gestão na saúde, na educação, na segurança pública. E vou lutar até o último minuto pelo que acredito."