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10/09/2014 20:17 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Pelé critica Aranha e afirma que racismo tem que ser combatido, mas "não dessa forma"

MÁRCIO MERCANTE/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Pelé voltou a soltar uma de suas pérolas nesta quarta-feira (10), ao comentar o caso de racismo que envolveu o goleiro Aranha, do Santos. Ao participar de um evento no morro da Mineira, na zona Norte do Rio de Janeiro, o "Rei do Futebol" afirmou que o atleta "se precipitou um pouco em querer brigar com a torcida". Para ele, a melhor atitude a se tomar em casos como esse é o desprezo ao agressor.

"O Daniel (Alves, do Barcelona) no ano passado foi bater um escanteio na Espanha, e jogaram uma banana. Ele comeu a banana, bateu o escanteio e ninguém falou mais nada. Se ele jogasse de volta para o público até agora estaríamos falando nisso", completou.

Pelé, que em sua carreira jamais se posicionou contra o racismo, apesar de ter sofrido na pele ofensas racistas em diversas oportunidades, lembrou de como encarava as agressões em seu tempo de jogador. "Se eu fosse parar um jogo cada vez que me chamassem de macaco e crioulo, todo o jogo tinha que parar".

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Ao relativizar o caso de racismo ocorrido na partida entre Grêmio e Santos, válido pelas oitavas de final da Copa do Brasil, Pelé afirmou: "O torcedor dentro de sua animosidade, ele grita de qualquer forma. A gente tem que coibir o racismo, mas não é dessa forma". O ex-santista completou ainda que "quanto mais atenção der, mais vai aguçar".

Por fim, Pelé bem que tentou se mostrar contra o racismo, mas acabou soltando essa: "É o mesmo que criticar uma raça amarela do japonês, do pobre que toda hora é alguém discriminado. O futebol que é algo de emoção, mas tem que tomar muito cuidado com o respeito a essas ações".

Já diria o ditado: muito ajuda quem não atrapalha. Fica a dica, Rei.