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10/09/2014 18:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Avanço de ciclofaixas em São Paulo vira alvo de críticas de vice de Aécio Neves, Aloysio Nunes: ‘delírio autoritário de Haddad'

Montagem/Estadão Conteúdo

Em nove meses, a cidade de São Paulo ganhou 58,3 km de ciclovias, mantendo a meta da gestão do prefeito Fernando Haddad em alcançar 200 km até o fim deste ano, e chegar aos 400 km até 2015. Entretanto, o avanço dessas rotas para bicicletas não está agradando a todos, e um deles resolveu se pronunciar abertamente contra a forma com que as ciclofaixas crescem na capital paulista.

Vice na chapa do presidenciável Aécio Neves (PSDB), o senador Aloysio Nunes (SP) elevou o tom das suas críticas contra Haddad, chamando-o de “autoritário” em sua página no Twitter.

Na mesma rede social, o debate também seguiu acalorado, com a ala dos apoiadores e a dos críticos ao avanço das ciclofaixas no bairro – cujo plano prevê 1,4 km de rotas nas ruas Piauí, Armando Penteado e Itatiara –, o mesmo que em 2011 se viu envolto na polêmica de ter uma estação da Linha 6-Laranja do Metrô na área, trazendo “gente diferenciada”.

DÚVIDAS NA CÂMARA DE SP

A discussão sobre os planos da prefeitura acerca do uso das bicicletas como meio de transporte na capital paulista já chegou à Câmara dos Vereadores. Em reunião nesta quarta-feira (10), a Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente firmou acordo para promover uma audiência pública para discutir o método de implantação adotado.

“É ótimo, se tivesse um bom planejamento, que dialogasse com as distritais da Associação Comercial. Se você vai tirar uma faixa que o comércio queria, você oferece ruas perpendiculares que vão ter estacionamento em 45 graus, e aí você compensa. Você oferece ao comerciante paraciclos, para que o ciclista estacione a bicicleta para fazer o consumo ali”, comentou o vereador José Police Neto (PSD), em declarações reproduzidas pelo site da Câmara.

A redução da vaga de estacionamentos para moradores e comerciantes, além da utilização ainda pequena ou inexistente em alguns pontos da cidade, lideram as críticas de quem é contra. Já os defensores das ciclofaixas veem a oportunidade de São Paulo mudar a sua dinâmica histórica de priorizar o uso do automóvel, em detrimento a outros meios de deslocamento.

“A cidade está vivendo um momento único de abertura de diálogo muito importante. Por isso estamos aqui para pontuar nesta agenda positiva da cidade alguns temas urgentes com relação ao uso das bicicletas”, comentou o cicloativista Daniel Guth, diretor da Associação dos Ciclistas Urbanos de São Paulo (Ciclocidade).

CICLOFAIXA DA PAULISTA

O próximo grande passo – e talvez mais polêmico do que ter uma rota para ciclistas em bairros nobres – é a construção em 2015 de uma ciclofaixa no canteiro central da Avenida Paulista, coração financeiro e cultural da capital. Até o início da obra, previsto para janeiro, muitas discussões devem ocorrer. “É um projeto que vai dar uma cara nova para a Paulista. Vai representar um ganho do ponto de vista visual. A paisagem da cidade muda para melhor”, comentou Haddad.

ciclofaixasp

Modelo de ciclofaixas previsto para avenidas como a Paulista (Reprodução/SP 400 KM)

Segundo o plano, o canteiro central da avenida será alargado em cerca de 25 centímetros de cada lado para facilitar a passagem de bicicletas nos dois sentidos. As oito faixas de rolamento da via serão mantidas, com alguns ajustes. Alguns trechos, próximos aos semáforos, ganharão grades para a proteção dos ciclistas. Contudo, nem mesmo petistas estão convictos da ideia.

“No meu entender, existem problemas de segurança, uma série de questões para saber se a melhor opção é essa”, analisou o vereador Nabil Bonduki (PT). Outro tucano como Nunes, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB) vê uma ameaça às características tradicionais da avenida mais famosa de São Paulo.

“Se quer fazer ciclovia, desde que o projeto mostre a importância e a necessidade de uma ciclovia lá, deve-se fazer nas faixas de rolamento, adequando as ruas paralelas, a alameda Santos e a rua São Carlos do Pinhal. Que tire o estacionamento dos automóveis, recapeie aquelas vias, de forma a fluir melhor o tráfego naquelas vias”, ponderou.

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