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09/09/2014 12:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Soldados da União Africana são acusados de estuprar meninas na Somália

John Moore/Getty Images

A Human Rights Watch, organização baseada em Nova York, afirmou que soldados da Missão da União Africana na Somália (Amisom) abusaram sexualmente e exploraram mulheres e meninas em suas bases em Mogadishu, capital da Somália.

De acordo com o documento, divulgado pela HRW na segunda-feira (8), os soldados usaram a ajuda humanitária para coagir as vítimas a terem relações sexuais.

O caso mais novo reportado no documento é de uma menina de 12 anos que foi estuprada. Em outros casos, diz o relatório, mulheres que buscavam por ajuda médica ou abastecimento de água nas bases da Amisom sofreram abusos.

Uma das entrevistadas pelo estudo, conta que no final de 2013 foi a uma base para obter remédios para sua mãe. Os soldados que lhe entregariam os medicamentos, a levaram para uma área remota e um deles a estuprou. “Primeiro ele arrancou meu hijab, depois me atacou”, conta. Um dos homens deu a ela US$ 10 após o abuso.

“Eu queria correr, mas eu sabia que a mesma coisa me trouxe aqui me faria passar por isso: a minha fome”, contou outra vítima.

“Anos de conflito e de fome na Somália já desalojaram dezenas de milhares de mulheres e meninas de suas comunidades e de suas redes de apoio. Sem opções de emprego e de recursos básicos, muitas delas precisam confiar totalmente na assistência externa e são submetidas a situações de exploração e abuso para sustentarem a si e aos seus filhos”, diz o documento.

A organização entrevistou 21 pessoas na Somália, em Uganda e no Burundi, que descreveram os abusos. A Human Rights Watch recomenda que seja promovida uma cultura organizacional de “tolerância zero” em relação aos abusos.

As tropas da União Africana são formadas por 22 mil soldados de seis nações diferentes. Na Somália, eles lutam desde 2007 contra o Al Shebab, grupo insurgente ligado à Al Qaeda. Entre os que financiam a Amisom estão a ONU, a União Europeia e os Estados Unidos.

A assessoria da Amisom afirmou, em nota, que as acusações serão "profundamente investigadas" e que as medidas apropriadas serão tomadas caso os crimes sejam confirmados. O texto também faz algumas ressalvas, e afirma que a HRW chegou às conclusões entrevistando um "pequeno número de vítimas".

"A comissão gostaria de destacar que as acusações não definem o caráter, a cultura organizacional e o gerenciamento da Amisom".