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08/09/2014 18:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

‘Não deixamos nada debaixo do tapete. Vamos investigar', diz Dilma sobre suposto esquema de corrupção na Petrobras

EDUARDO NICOLAU/ESTADÃO CONTEÚDO

A presidente Dilma Rousseff afirmou, nesta segunda-feira (8), que em "nenhum momento" seu governo teve conhecimento sobre um suposto esquema de corrupção na Petrobrás, segundo revelações feitas pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, em delação premiada à Justiça. À Entrevistas Estadão, a presidente definiu como "estarrecedor" o fato de as denúncias serem feitas por um funcionário de carreira da Petrobrás e disse já ter solicitado oficialmente à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal o acesso a seu depoimento.

"A revista não diz de onde tirou informações, nem como tirou", disse. "Se a pessoa estiver comprometida, é afastamento puro e simples do governo. Mas tenho que acatar informações oficiais, da Polícia Federal, do Ministério Público. Se eles não forem capazes de me responder, vou pedir ao Supremo Tribunal Federal que me informe", complementou.

Questionada se, durante o período em que integrou a cúpula da Petrobrás, havia permitido a Dilma identificar suspeitas de irregularidades, a presidente disse que em "nenhum momento". "É interessante que a gente lembre que esse diretor é um quadro de carreira, o que é mais estarrecedor", disse, em entrevista a série, realizada no Palácio da Alvorada, nesta tarde.

Dilma ainda voltou a lembrar o caso de afundamento de uma plataforma de petróleo durante a gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso e que, segundo ela, não foi investigado. "Você acha que é tranquilo, uma plataforma que custa R$ 1,5 bilhão afundar? E ninguém investigar porque afundou?. A plataforma, de R$ 1,5 bilhão é duas vezes Pasadena", disse. "Ela afundou no governo FHC e ninguém investigou. Não é próprio das plataformas sair por aí afundando", disse.

De acordo com reportagem publicada pela revista Veja no sábado, Paulo Roberto Costa disse, em depoimento à Justiça, haver um esquema de pagamento de propina na Petrobrás, que teria beneficiado uma lista de políticos, entre eles o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, além de seis senadores e pelo menos 25 deputados federais.

Nas conversas com a PF, o ex-diretor teria dito que, quando estava na Petrobrás, entre 2004 e 2012, conversou diretamente com o então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, para tratar de assuntos da empresa.

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Segundo Dilma, as denúncias envolvendo a Petrobrás "não têm a ver com gestão". "É de fato surpreendente que ele [Paulo Roberto Costa] faça isso. Não é típico dos quadros da Petrobrás", afirmou. A presidente afirmou já ter solicitado oficialmente o conteúdo das declarações de Costa para "tomar as providências cabíveis" e que recebeu as explicações do ministro Edison Lobão.

Ao comentar sua participação na compra dos primeiros 50% da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), em 2006, a presidente repetiu que a decisão foi motivada a partir de um relatório falho encaminhado ao Conselho de Administração da Petrobrás, presidido por ela na ocasião. "Mais tarde descobrimos que faltava um anexo com duas cláusulas. As duas não nos foram apresentadas. O conselho só aprovou a compra de 50%, os demais 50% não foram aprovados pelo conselho, sequer foram analisados pelo conselho", disse a petista, acrescentando que o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União concordaram que o conselho não teve responsabilidade no caso.

De acordo com a presidente, a decisão de mudar quadros da direção da estatal ao assumir a Presidência, em 2010, não tiveram relação com eventuais suspeitas envolvendo a refinaria, mas foram ajustes normais de um novo governo. Dilma também procurou desvincular as denúncias da atual presidente da estatal, Graça Foster, a quem definiu como uma "gestora plenamente competente". "Se houve corrupção, e tudo indica que sim, garanto que as sangrias estão estancadas", afirmou.

Investigação e eleições

Durante a entrevista, a presidente voltou a dizer que as denúncias não serão "engavetadas" e que seu governo está compromissado em investigar. Questionada sobre o uso político das denúncias e da associação que o seu adversário Aécio Neves (PSDB) tem tentado fazer de comparar as delações do ex-diretor Paulo Roberto Costa ao esquema do mensalão, Dilma voltou a dizer que nos governos petistas os casos são investigados e "não colocados embaixo do tapete".

"Quem não investiga não descobre. Nós desmontamos muitos esquemas de corrupção", afirmou.

Dilma disse ser "estranho" que os adversários falem sobre corrupção já que outros esquemas de corrupção não tiveram o mesmo tratamento. "É o caso do mensalão do DEM. Nós investigamos. Fizemos o dever de casa, não deixamos nada debaixo do tapete. Hoje, doa a quem doer, vamos investigar", disse.