NOTÍCIAS
05/09/2014 13:36 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Acusada de racismo, torcedora do Grêmio fala pela 1ª vez e pede perdão a Aranha (VÍDEO)

Patrícia Moreira da Silva, de 23 anos, falou pela primeira vez com a imprensa desde o incidente de racismo em que se envolveu com o goleiro Aranha durante o jogo entre Grêmio e Santos, válido pela Copa do Brasil. Aparentando estar emocionada, a torcedora gremista pediu desculpas ao jogador e ao time do coração.

“Eu quero pedir desculpas ao goleiro Aranha. Perdão de coração. Eu não sou racista. Perdão. Perdão. Peço desculpas (...). Aquela palavra macaco não foi racismo de minha parte, foi no calor do jogo, o Grêmio estava perdendo”, disse a jovem na entrevista coletiva, concedida em um hotel de Porto Alegre.

A mulher, que prestou depoimento na quinta-feira (4) na 4ª Delegacia da capital gaúcha, também lamentou que o incidente tenha causado tamanho prejuízo ao Grêmio, que acabou excluído da Copa do Brasil e multado em R$ 50 mil. “O Grêmio é minha paixão, minha paixão mesmo. Eu vivi sempre indo ao jogo do Grêmio. Largava tudo para ir ao jogo. Peço desculpas para o Grêmio, para a nação tricolor. Eu amo o Grêmio. Desculpas para o Aranha. Perdão, perdão, perdão mesmo”.

Antes que os jornalistas pudessem fazer perguntas, Patrícia foi retirada. Quem falou foi o advogado Alexandre Rossato, que a representa no caso. Ele lembrou que a jovem vem sendo alvo de muitas ameaças e, por isso, teve de sair de casa. “A Patrícia perdeu a vida dela”, comentou o defensor.

De acordo com o G1, Rossato ainda afirmou que, dentro do contexto do jogo, a ofensa contra Aranha de “macaco não se tornou racista”. “Isso se torna um xingamento dentro do futebol. Uma das expressões dentro do futebol. As próprias mães dos árbitros são xingadas historicamente dentro do futebol”, ponderou o advogado.

Enquanto isso, duas investigações sobre o caso seguem em andamento. A primeira está sendo feita pela Polícia Civil gaúcha, para a qual Patrícia já prestou depoimento e alegou “que foi no embalo da torcida” e que “não tinha a intenção de ofender”. O inquérito deve ser concluído ainda neste mês.

A outra é no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A razão é a suspeita de racismo que paira contra o auditor Ricardo Graiche, um dos cinco a participar e votar no julgamento que definiu a exclusão do Grêmio do torneio. Em sua página no Facebook, ele teria feito postagens irônicas de cunho racial, o que pode gerar punições pela Corregedoria da entidade.

LEIA TAMBÉM

- Após caso de racismo, Fifa diz apoiar exclusão do Grêmio na Copa do Brasil

- Ex-presidente do Grêmio acusa Aranha de 'teatro' e minimiza caso de racismo (ÁUDIO)

- Grupo de torcedores do Grêmio volta a entoar cantos racistas em vitória no Brasileirão (VÍDEO)

- Macaco ou burro chucro? A injúria racial no futebol