NOTÍCIAS
04/09/2014 17:43 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Festival do Teatro Brasileiro celebra a dramaturgia baiana

Divulgação/Festival do Teatro Brasileiro

Foi em 1999 que o Festival do Teatro Brasileiro teve sua primeira edição, ainda tímida. Na época, chamava-se Mostra de Teatro da Bahia e ocorria em Brasília. Ao longo dos anos, evoluiu: passou a ser itinerante e abarcou produções de outros estados. Esta ano, volta a reunir espetáculos de grupos baianos e chega nesta quinta-feira (4) a São Paulo (com apresentações na capital e em Bauru), após passar por Minas Gerais, Espírito Santo e Acre — em sua primeira incursão na região Norte.

A intenção da curadoria é dar ao público um panorama do que se passa na cena teatral baiana. "Neste ano, estamos trabalhando com duas montagens que não são soteropolitanas", diz o organizador do evento, Sérgio Bacelar. "Isso mostra como os recursos estão sendo descentralizados, apoiando iniciativas de outros municípios."

A mostra, que leva nove espetáculos a quatro espaços (Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro João Caetano e Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo; e Teatro Celina Neves, em Bauru), é aberta com Exu — A Boca do Universo, do grupo Nata.

Segundo Bacelar, a importância deste coletivo está na abordagem de questões válidas para o povo baiano. No palco, o elenco desmistifica costumes das religiões afro-brasileiras para combater a intolerância religiosa.

Com viés parecido, a já conhecida do público paulistano Cabaré da Rrrrraça é outro destaque do festival. No musical, o Bando de Teatro Olodum aborda o preconceito racial de maneira direta, mas engraçada e reflexiva. Desta vez, a montagem tem a participação do ator Érico Brás — que está no ar no seriado Tapas & Beijos, da Globo — e da cantora Fabiana Cozza.

Criada para ser uma peça juvenil, Entre Nós — Uma Comédia sobre a Diversidade foi o grande sucesso de público nos três Estados pelos quais passou, de acordo com Bacelar. No enredo, dois atores tentam criar uma história de amor entre dois jovens gays. Durante a criação, eles se deparam com diversas situações que os fazem questionar seus próprios pensamentos sobre o assunto.

É com Entre Nós que o festival executa seu lado formador. Um coordenador pedagógico prepara um material para que professores possam trabalhar a peça em sala de aula, ampliando a percepção dos alunos. "Não temos solução outra para a formação de plateias que não passe pelas escolas", diz Bacelar. O festival também promove oficinas de direção teatral e encontros com dramaturgos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

  • Exu — a Boca do Universo
    Divulgação/Festival do Teatro Brasileiro
    Dias 4 e 5 de setembro, às 20 horas
    CCBB
    Gratuito

    Exu é um espetáculo de celebração à vida. O espetáculo narra sem compromisso cronológico momentos em que Exu se mostra diferente daquilo que tanto se pregou na cultura ocidental sobre o orixá que rege a comunicação e a liberdade no candomblé. Optando por uma dramaturgia músico-poética, pela encenação em um espaço aberto e por atores que se personificam sobre as diversas concepções do orixá Exu, o humano e o divino se entrelaçam na celebração à condição de estar vivo. Exu em suas várias facetas se mostra no espetáculo como alguém que valoriza o movimento da vida, do falar ao agir, do pensar ao sentir.
  • O Circo de Soleinildo
    Divulgação/Festival do Teatro Brasileiro
    Dias 5 e 6 de setembro, às 20 horas
    Teatro Sergio Cardoso
    R$ 20 inteira | R$ 10 meia

    Em algum lugar no interior do sertão brasileiro, Soleinildo e seus três companheiros de lona viajam à procura de público, cada vez mais escasso, para o seu circo de ilusões. Contrariando a tendência da contemporaneidade, O Circo de Soleinildo segue, até então, mantendo suas tradições com números simples e até mesmo ingênuos. Contudo, a dificuldade de atrair público traz à tona uma questão: prosseguir com os mesmos princípios dessa arte milenar deixada por seus antepassados ou aderir às novas tecnologias e às mudanças do mundo moderno?
  • Ícaro
    Divulgação/Festival do Teatro Brasileiro
    Dias 6 de setembro, às 20 horas; 7 de setembro, às 19 horas
    CCBB
    Gratuito

    Releitura do mito do herói grego Ícaro, usado metaforicamente no imbricamento com o autorretrato do artista. É o ponto de partida para a reflexão sobre o contínuo ciclo de vida, morte e renascimento. A montagem propõe o desenvolvimento metafórico do mito "Ícaro" a partir do seu fim. Sugerindo a ideia de que após morrer, tendo a cera das suas asas derretidas por ter se aproximado demais do sol, sobrevive carregando em si mesmo a profunda experiência de conhecer de perto o inacessível e seu valor.
  • Cabaré da Rrrrraça
    Divulgação/Festival do Teatro Brasileiro
    Dias 6 de setembro, às 21 horas; 7 de setembro, às 19 horas
    Teatro João Caetano
    R$ 20 inteira | R$ 10 meia

    Com um tema forte — o preconceito racial — os diretores Marcio Meirelles, Chica Carelli, o Bando de Teatro Olodum, o coreógrafo Zebrinha, e o diretor musical Jarbas Bittencourt criaram uma montagem musical de linguagem popular e direta, que leva o público ao riso e também à reflexão. É justamente essa combinação de discurso inflamado com bom humor e doses de ousadia que, ano após ano, atrai baianos e turistas para ver o espetáculo Cabaré da Rrrrrraça.
  • A arte de matar galinhas
    Divulgação/Festival do Teatro Brasileiro
    Dias 8 e 9 de setembro, às 20 horas
    Teatro Sergio Cardoso
    R$ 20 inteira | R$ 10 meia

    Um cozinheiro misterioso propõe um curso de matar galinhas. Durante a aula, surgem indagações como "o que seria comida de verdade?" As respostas surgem em meio a ironia, humor e uma canja preparada ao vivo. O texto é assinado por Aldo Marcozzi e Daniel Dourado.
  • Entre nós
    Divulgação/Festival do Teatro Brasileiro
    Dias 12 e 13 de setembro, às 20 horas
    Teatro Sergio Cardoso
    R$ 20 inteira | R$ 10 meia

    Vencedor em três categorias do Prêmio Braskem de Teatro 2012 (Melhor Espetáculo, Melhor Ator – Igor Epifânio – e Melhor Texto), Entre Nós – uma comédia sobre diversidade tem texto, direção, iluminação e figurino de João Sanches. O elenco é formado por Igor Epifânio e Anderson Dy Souza no papel de atores que tentam inventar na hora uma história de amor entre dois jovens gays. Para isso, eles enfrentam uma série de situações conflitantes e engraças até decidirem o destino dos personagens.
  • Joelma
    Divulgação/Festival do Teatro Brasileiro
    Dias 13 de setembro, às 20 horas; 14 de setembro, às 19 horas
    CCBB
    Gratuito

    Joelma conta a história da inadequação de uma mulher, nascida no corpo de um homem. Nos trinta anos que vive no sul do país, muda seu corpo e realiza a cirurgia de redesignação sexual, por fim retorna para Ipiaú (BA), sua cidade natal. Para além dos aspectos sobre sexualidade e gênero, a narrativa também apresenta a trajetória religiosa da personagem, que hoje, aos 69 anos vive numa casa, que é um misto de centro espiritualista e igreja. Outro elemento marcante do espetáculo é o assassinato que estabelece uma trama "policial" na história.
  • O corpo perturbador
    Divulgação/Festival do Teatro Brasileiro
    Dias 17 e 18 de setembro, às 20 horas
    Teatro Sergio Cardoso
    R$ 20 inteira | R$ 10 meia

    O espetáculo O Corpo Perturbador tem como principal temática o corpo com deficiência na perspectiva da sexualidade e a partir do devoteísmo (fetiche pela eficiência). Promove reflexões acerca das relações de poder implicadas nos processos sociais, religiosos e artísticos que envolvem as pessoas com deficiência. Pretende-se também questionar e problematizar o desejo num mundo onde se vive sob a égide de um padrão estético rígido - que encontra na mídia seu grande construtor e mantenedor -, mas que, mesmo em pouca medida, ainda consegue ter seus dissidentes, que contrariam as regras e sentem-se atraídos por especificidades de alguns corpos considerados fora dos padrões.
  • Amnésis
    Divulgação/Festival do Teatro Brasileiro
    Dias 19 e 20 de setembro, às 20 horas
    Teatro Sergio Cardoso
    R$ 20 inteira | R$ 10 meia

    De maneira lúdica, metafórica e divertida, os três atores mergulham numa saga de aventuras, celebrações e aprendizados dando vida a diversos personagens que transitam por lugares históricos das cidades. O processo de pesquisa investiu no questionamento de como as nossas lembranças (as nossas memórias, as histórias da nossa vida) e as lembranças das vidas de outras pessoas podem servir como fonte e material para construção de um espetáculo teatral.