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03/09/2014 10:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Líder da Crimeia diz que gays 'não têm chance' na península da Ucrânia, dominada pelos russos

David Goldman / AP Photo

O líder da Crimeia disse que as minorias sexuais “não têm chance” na península ucraniana que foi anexada pela Rússia em março.

Durante uma sessão do governo na terça-feira (2), o líder da região, Sergei Aksyonov, afirmou que “nós, na Crimeia, não precisamos dessas pessoas”.

Segundo a agência russa Interfax , Aksyonov disse que os homossexuais não poderão conduzir manifestações públicas.

“A polícia e o grupo de defesa vão reagir rapidamente e explicar, em três minutos, qual orientação [sexual] deve ser seguida”.

Ele finalizou seu discurso afirmando que os jovens “devem ser ensinados a manter uma atitude positiva em relação à instituição da família e dos valores tradicionais”.

A Crimeia foi anexada pela Rússia após um referendo que foi considerado ilegal pelos Estados Unidos e pela união Europeia.

A península adotou, neste ano, uma lei assinada pelo líder russo, Vladmir Putin, que proíbe atividades que possam ser vistas como promotoras da homossexualidade para minorias.

Após a lei ser implementada na região, um evento foi cancelado em Sebastopol por causa das novas regras.

Segundo o Pink News, o governo ucraniano também suspendeu uma lei que proibia a discriminação de gays no ambiente de trabalho.

Cessar-fogo

Na manhã desta quarta-feira (3), Putin disse que seus pontos de vista e os do presidente ucraniano, Petro Poroshenko, estão "muito próximos" quanto a encontrar uma solução política para o conflito no leste da Ucrânia, e que um acordo entre Kiev e os separatistas russos poderia ser alcançado até sexta-feira (5).

"Nossos pontos de vista sobre o modo de resolver o conflito, pelo que me parece, são muito próximos", disse Putin a repórteres na capital da Mongólia, Ulan Bator, confirmando ter conversado mais cedo nesta com Poroshenko.

Putin disse ainda que as forças ucranianas têm de encerrar a operação militar no leste da Ucrânia, e monitores internacionais precisariam ir até a região.

Segundo Putin, a troca de presos, um corredor humanitário para os refugiados e envio de ajuda estão entre medidas para resolução de conflito na Ucrânia.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que um cessar-fogo pode ser eficaz apenas se Moscou parar de “fingir" que não estava controlando separatistas pró-Rússia e parar de mandar tropas e armas para o país vizinho.

Obama fez os comentários em viagem à Estônia, um dos três ex-países soviéticos do Báltico que fazem fronteira com a Rússia e que temem que a rebelião no leste ucraniano possa trazer problemas para eles. Todos os três possuem consideráveis minorias russas e dependem do fornecimento de energia da Rússia.

“Temos consistentemente apoiado o esforço do presidente Poroshenko de alcançar um significativo cessar-fogo que possa conduzir a um acordo político”, disse Obama em uma coletiva de imprensa em Tallinn.

A Rússia nega ter enviado veículos blindados e soldados para o leste da Ucrânia, uma área cuja maioria da população fala russo e tem lutado pela independência desde abril. Mais de 2.600 pessoas morreram no conflito, que provocou a maior crise nas relações da Rússia com o Ocidente desde a Guerra Fria.

“Em termos de ações, temos visto agressão e apelos às paixões nacionais que historicamente foram muito perigosos na Europa e são certamente uma causa de preocupação”, disse Obama.

“Nenhum acordo político realista pode ser alcançado se a Rússia efetivamente diz que vai continuar a enviar tanques e soldados e armas e conselheiros sob o disfarce de separatistas.”

Obama chegou a Tallinn, de onde seguirá para uma cúpula da Otan no País de Gales, a fim de reassegurar os três Estados bálticos - Lituânia, Letônia e Estônia - de que a organização os apoiaria e que os EUA estão comprometidos a proteger a fronteira leste da aliança militar.

Sob o tratado da Otan, um ataque a qualquer Estado-membro seria tratado como um ataque a todos os membros da aliança. Os Estados bálticos se juntaram à Otan e à União Europeia em 2004. A Ucrânia não faz parte de nenhum dos dois.

Com informações da Reuters