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03/09/2014 17:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Alexandre Padilha mantém discurso otimista e alfineta Paulo Skaf: "Espero que não derreta"

MOTTA JR./FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Terceiro colocado na mais recente pesquisa Ibope ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (PT) segue confiante de que, contrariando a sua oscilação entre 5% e 7% nas intenções de voto, de que ele chegará ao segundo turno. Com pouco mais de um mês para o pleito, o petista vem intensificando as agendas, sobretudo aquelas populares, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Questionado sobre as dificuldades financeiras e a resistência que a sua campanha vem enfrentando – não alcançando nem mesmo uma porcentagem próxima às duas candidaturas petistas nas últimas duas eleições ao governo de SP –, Padilha procurou exaltar o trabalho da militância, que é a campanha do partido “como sempre”. E alfinetou os adversários e líderes das pesquisas, Geraldo Alckmin (PSDB) e Paulo Skaf (PMDB).

“Estamos com uma estratégia de envolvimento da militância e o PT fará campanha como sempre faz. Não tenho expectativa de fazer campanha do modo que os empresários fazem, do modo que o atual governador (Alckmin) faz. O PT tem característica de fazer campanha com o envolvimento da militância, que está extremamente envolvida. O bom nosso é que está sobrando campanha. A campanha na rua do jeito que o PT sabe fazer, de forma honesta, na rua”, comentou.

De acordo com o Ibope, há um movimento de polarização entre Alckmin e Skaf, enquanto Padilha aparece distanciado dos dois rivais. A improbabilidade dos dados, pelo menos oficialmente, não preocupa o ex-ministro da Saúde, que bate na tecla de que é preciso “apontar os problemas do Estado de SP e apontar as soluções”. E para quem já vê Skaf como o natural rival de Alckmin em um eventual segundo turno, ele manda um recado.

“A última coisa que eu quero é que o Paulo Skaf derreta. (A pesquisa) é muito recente, e o maior desafio nosso no horário eleitoral é que as pessoas conheçam a minha candidatura, o meu vinculo ao PT, as nossas propostas, isso são os debates e o horário eleitoral que nos permitem fazer isso (...). Eu vou para o segundo turno, até o dia 5 de outubro eu vou estar no patamar que o PT tem na preferência (do eleitorado)”, avaliou o petista.

Mais desgaste de adversários e mais Haddad

A estratégia de Padilha deve ser continuar a estratégia de buscar o desgaste de Alckmin, seja em debates, seja no horário eleitoral. No último levantamento do Ibope, ele perdeu três pontos percentuais (de 50% para 47%), mas está com uma vantagem ainda confortável sobre Skaf, que subiu de 20% para 23%. Já o petista, que estava estacionado há pelo menos dois meses em 5%, agora aparece com 7% da preferência do eleitorado.

O caminho para Padilha passa por cooptar eleitores que estão na casa dos 19% (somando brancos, nulos e que não sabem), mas obter uma parcela advinda dos dois líderes da corrida ao governo paulista. Pelo tempo que resta, a missão parece inglória, mas ele não perde a esperança e rejeita o discurso corrente de que “a rejeição ao PT no Estado de SP é histórica”.

“Tenho feito campanha na rua, todo o dia estou na rua conversando com as pessoas e não tenho visto essa rejeição. Pelo contrário, tenho visto muita receptividade, a nossa proposta, conhecer uma cara nova, candidato novo, tenho visto muita receptividade”, comentou. E ele promete ter mais a presença do prefeito da capital, Fernando Haddad, em suas agendas. Quem sabe abocanhar o eleitor que vê as medidas recentes do petista na cidade com bons olhos?

Padilha preferiu não pormenorizar os ganhos de uma participação maior de Haddad (ínfimos, segundo alguns adversários), mas negou categoricamente que o PT tenha, em algum momento, “fugido da rejeição” do prefeito na capital, mantendo-o longe da campanha.

“Ele está direto conosco. É que ele é prefeito da cidade, só pode estar na campanha sábado e domingo. (Sobre a rejeição) Pelo contrário, ele terá o lugar e o espaço de quem acabou com a aprovação automática nas escolas de SP, e queremos acabar com isso no Estado. O lugar de quem com o esforço da Corregedoria da prefeitura acabou com a Máfia do ISS, acabou enfrentando um tema de corrupção do município e eu quero enfrentar os esquemas do Estado de SP. Alguém que criou o programa Braços Abertos na Cracolândia, eu fui lá e ele tem feito campanha comigo. Ele foi até Cidade Tiradentes, vocês é que não estão acompanhando, é muito longe e vocês não vão”, comentou, em tom bem humorado.

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