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02/09/2014 19:55 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Senador do PT, Eduardo Suplicy 'contraria' partido e vê com bons olhos a chance Dilma de enfrentar Marina no 2º turno

ALICE VERGUEIRO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Dono de três mandatos no Senado e em busca de um quarto nestas eleições, Eduardo Suplicy (PT) vê com bons olhos a possibilidade da petista Dilma Rousseff enfrentar Marina Silva (PSB) em um eventual segundo turno do pleito presidencial. Seriam duas mulheres em uma reta final de eleição, algo inédito no Brasil e, possivelmente, no mundo, comentou o senador.

Entretanto, Suplicy não deixa de reforçar de que lado está nesta disputa presidencial. “Com esses debates, acredito que a presidente Dilma terá condições de demonstrar as realizações muito positivas do seu governo e com razões para o povo brasileiro reelegê-la”, disse, em entrevista ao Brasil Post momentos antes do debate entre os candidatos à Presidência do SBT, realizado na segunda-feira (1º).

Quanto ao próprio pleito que disputa para o Senado, o petista seguiu mantendo o discurso do otimismo. E ele tem razões para ter essa percepção. De acordo com pesquisa Ibope encomendada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela Rede Globo, divulgada no fim da tarde desta terça-feira (2), Suplicy subiu de 23% para 28%, diminuindo a diferença para José Serra (PSDB), que segue nos 33%. Contando a margem de erro de dois pontos percentuais, ele pode estar entre uma margem de um a nove pontos atrás do tucano. Gilberto Kassab (PSD) subiu de 7% para 8%.

“Estou animadíssimo. Vamos recordar: em 1990 tinham quase dez candidatos, tinha favoritismo de Franco Montoro, ex-governador e ex-senador, depois entrou Ferreira Neto, tinha Francisco Rossi, João Cunha, e eu tive 4,2 milhões. (Em) 1998, tinha o Oscar, e eu tive 6.776 milhões, (me elegi com) 43% dos votos válidos. (Em) 2006, teve uma porção de candidatos, o Guilherme Afif, e nessa eleição tive 8,896 milhões, 48% dos votos. Pela tendência vai para mais de 50% dos votos. Estou confiante”, ponderou.

Falando em Serra, o petista não escondeu a decepção pelo fato do ex-governador de São Paulo não ter participado do Desafio do Gelo proposto por ele. Dos chamados a participar, apenas Serra não quis participar. “Sou (alguém) preocupado com as doenças raras. Tenho três projetos: um sobre o Dia Nacional das Doenças Raras, outro para estabelecer uma política nacional de doenças raras, e outro para criar um fundo de pesquisas sobre as doenças raras. Então sou ligado (a isso). Como era um desafio para contribuir com um fundo para as doenças raras, em especial à ELA, então resolvi fazer. Ele, ex-ministro da Saúde, poderia ter feito”.

Mas ele espera ter outros desafios com os candidatos ao Senado. “Respeito muito o José Serra, o Gilberto Kassab e os demais. Estou disposto a participar de debates e desafios. Gostaria de desafiá-los a termos uma eleição transparente e limpa, ao longo da campanha, com a publicação dos gastos na página eletrônica de cada um. Eu estou fazendo”, finalizou.

Cúpula do PT não prevê grandes mudanças na campanha de Dilma

Oficialmente, a cúpula do PT não admite qualquer alteração na campanha de Dilma. Contudo, a postura da presidente no Debate do SBT já foi bem mais agressivo, mostrando que a campanha está atenta ao avanço de Marina e está reagindo. Em conversa reservada, um alto dirigente petista disse que já “há dados internos que apontam uma queda na taxa de rejeição de Dilma”.

Outro exemplo que aponta um certo otimismo petista quanto aos rumos da campanha seriam os trackings diários que são feitos pela coordenação do partido. “O último que vi foi de sexta-feira, e que era mais ou menos 33% (Dilma), 28% (Marina) e 17% (Aécio), mas era de sexta-feira. Aí já está defasado, tracking é uma coisa rápida e já deve haver outro número”, concluiu o mesmo dirigente.

O ponto de vista é igual ao apresentado pelo presidente do PT, Rui Falcão, na semana passada. “Continuamos tranquilos com a liderança, teremos a oportunidade de continuar com os programas de TV, mostrando muita coisa que a população não sabia, apontando as diferenças, e alertando também o que significa ter um outro projeto no Brasil (...). Estamos tranquilos com essas credenciais, com a capacidade na nossa presidente, e com a força dos nossos candidatos para continuar na liderança e vencer a eleição”.

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