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01/09/2014 12:33 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Garoto relata rotina em campo de treinamento do Estado Islâmico

Reprodução / Youtube

Crianças que mal aprenderam a caminhar, operando um fuzil AK-47. A cena é mostrada em um vídeo produzido pelo Estado Islâmico para divulgar o seu recrutamento de crianças.

Mohammed (nome fictício) vive hoje na Turquia, e tinha 13 anos quando o Estado Islâmico, grupo fundamentalista que atua no Iraque e na Síria, ordenou que ele frequentasse um campo de treinamento no norte da Síria.

Ele contou à CNN que foi chamado par se juntar ao grupo enquanto estudava em uma mesquita com colegas e que seu pai, que era contra a ideia, foi ameaçado de decapitação caso não autorizasse a ida do filho ao campo.

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Em entrevista a Vice , o coordenador de um campo de treinamento disse que o Estado Islâmico aposta nas gerações futuras como "a geração do califado".

Mohammed relatou que alguns militantes do campo eram gentis e brincalhões, mas que outros faziam os meninos assistirem a atrocidades.

“Quando íamos à mesquita, eles nos pediam para voltar no dia seguinte para ver decapitações, apedrejamentos ou açoitamentos”, conta.

O pai de Mohammed tentou visitá-lo algumas vezes, mas foi impedido pelos guardas que afirmavam que ele não estava lá.

“Ele é apenas uma criança, podem torna-lo um homem bomba e convencê-lo de que ele irá para o paraíso”, disse.

A família do garoto conseguiu tirá-lo do campo e fugiu para a Turquia. Mohammed agora não sabe o que fazer. Embora deseje voltar para a escola, acha que está velho para estudar.

Um de seus amigos foi morto durante uma batalha do Exército Islâmico contra os soldados de Bashar al-Assad, líder sírio.

Segundo membros do Estado Islâmico, após passar um tempo nos campos de batalha, os garotos vão para o combate, aos 16 anos.

Reportagem do International Business Times conta que desde que o Estado Islâmico dominou Raqqa, cidade na Síria, o grupo começou a impor regras para as escolas e universidades da cidade.

Disciplinas que são consideradas "incompatíveis com a lei de Deus" como filosofia, ciências, geografia e história e islã são banidas do currículo escolar.

A reportagem traz ainda um comunicado que foi, supostamente enviado às escolas da cidade.

O documento ordena que "todas as referências à Síria devem ser substituídas pelo Estado Islâmico".

"Alerte os estudantes que as leis da física e da química são as leis de Deus na criação".