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01/09/2014 09:57 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Após cessar-fogo com palestinos, Israel anuncia maior apropriação de terras na região de Cisjordânia em 30 anos

Lior Mizrahi/Getty Images

Após sete semanas de intenso conflito e de negociações para um cessar-fogo – firmado na semana passada, Israel anunciou neste domingo (31) uma apropriação de terras na Cisjordânia.

A decisão foi condenada pela Palestina e criticada também pelos Estados Unidos. De acordo com o Peace Now, grupo que se opõe às atividades de ocupação israelense na Cisjordânia, a apropriação é a maior anunciada em 30 anos.

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Cerca de 400 hectares em Etzion, grupo de assentamentos judeus perto de Belém, foram declarados “terras do estado, sob as instruções do escalão político”.

“Pedimos ao governo de Israel que reverta essa decisão”, disse um servidor do Departamento de Estado dos EUA, chamando o movimento israelense de “contraproducente” para os esforços que visam alcançar uma solução entre Israel e a Palestina.

A administração do presidente Barack Obama está em desacordo com autoridades israelenses sobre sua política de assentamentos.

“Nós já deixamos clara a nossa posição, e a atividade continuou”, disse o funcionário, que não quis se identificar.

Segundo a mídia israelense, a decisão foi tomada em represália ao sequestro e assassinato de três jovens judeus por militantes do Hamas em junho.

De acordo com o Haaretz, as terras ocupadas pertencem a cinco vilas palestinas.

O aviso publicado pelo exército israelense no domingo não explicitava razão para a decisão de apropriar as terras.

Segundo o Peace Now, a apropriação foi definida para transformar um local onde dez famílias vivem atualmente e conduzem uma instituição de ensino em um assentamento permanente.

Ainda de acordo com o grupo, o confisco de terras foi o maior anunciado por Israel na Cisjordânia desde 1980.

Israel vem recebendo críticas da comunidade internacional por suas atividades de ocupação, consideradas ilegais pela maioria dos países e vistas também como um dos principais obstáculos para a criação de um estado palestino.

Nabil Abu Rdainah, porta-voz do presidente palestino, Mahmoud Abbas, pediu que Israel reveja os planos de ocupação. “A decisão vai levar a mais instabilidade. Isso apenas irá inflamar a situação após a guerra em Gaza”.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, interrompeu as negociações de paz com Abbas em abril, após o líder palestino chegar a um acordo de reconciliação com o Hamas, movimento islâmico que domina a Faixa de Gaza.

Em uma série de pontos após um cessar-fogo, Netanyahu reiterou sua exigência de que Abbas rompesse o acordo com o Hamas para que o processo de paz com Israel fosse retomado.

Cerca de 500 mil israelenses vivem entre os 2,4 milhões de palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, território que Israel capturou em 1967.

Com informações da Reuters