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31/08/2014 11:33 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

União Europeia ameaça Rússia com novas sanções e Vladimir Putin chama Ucrânia para negociações imediatas

REUTERS/Alexander Zemlianichenko/Pool

A União Europeia ameaçou a Rússia com novas sanções comerciais se Moscou não conseguir começar a reverter sua ação na Ucrânia, mas discordâncias entre os líderes em uma cúpula em Bruxelas deixou o calendário incerto para quaisquer medidas.

Depois de uma longa entrevista com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, que alertou que uma "guerra total" era iminente se as tropas russas continuassem a avançar no apoio a rebeldes pró-Moscou, os líderes concordaram no domingo em ter funcionários da União Europeia elaborando, no prazo de uma semana, uma lista de novas medidas que podem atingir uma gama de setores.

Mas a ansiedade sobre o impacto das sanções sobre as suas próprias economias fracas — e seu acesso às fontes de energia russas — resultou em uma UE dividida que não pode concordar em impor prazos ou condições precisos sobre o presidente russo, Vladimir Putin.

O Conselho Europeu convidou a Rússia "a retirar imediatamente todos os seus bens e as forças militares da Ucrânia" e pediu um cessar-fogo. Os líderes pediram o braço executivo da UE, a Comissão, para preparar propostas sobre novas sanções a serem impostas por eles, incluindo medidas que penalizam qualquer pessoa ou entidade que negociem com separatistas do leste da Ucrânia.

A chanceler alemã, Angela Merkel, figura mais poderosa do bloco, observou que medidas estariam prontas dentro de uma semana e disse que Putin deve agir para evitá-las: "Não haverá decisões sobre novas sanções se a situação atual se passa ou se deteriora." Mas perguntado sobre um prazo para a ação da UE, o presidente cúpula, o presidente do Conselho da UE, Herman Van Rompuy, afirmou: "Outras medidas dependem do desenvolvimento da situação. Não existem critérios precisos, mas posso assegurar-lhe que todo mundo está certo de que temos de agir rapidamente."

Neste cenário, Putin pediu à Ucrânia o início imediato de negociações para uma solução política à crise no leste da Ucrânia, incluindo discussões sobre soberania.

Em comentários feitos na rede de TV nacional Canal 1, reportados pelas agências de notícias russas, Putin afirmou que as conversas deveriam ser conduzidas de modo significativo e não sobre questões técnicas, "mas sobre questões relacionadas à organização política da sociedade e sobre a soberania do sudeste da Ucrânia, com o objetivo de salvaguardar os interesses legítimos das pessoas que vivem alí".

Apesar do uso da palavra "soberania", Putin não vislumbra uma soberania para as duas regiões separatistas do leste ao estado que tem chamado de "Novorossiya" (Nova Rússia), disse depois seu porta-voz Dmitry Peskov, de acordo com uma agência russa.

Anteriormente Putin havia pedido por negociações entre o governo central e rebeldes separatistas no leste, contra os quais as forças ucranianas têm lutado desde abril, enquanto a Rússia defendia a federalização que devolveria mais poderes para tais regiões.

Poroshenko divulgou em junho um plano de paz propondo um nível não especificado de descentralização dos poderes executivos e das questões orçamentárias das regiões. Mas os rebeldes rejeitaram qualquer negociação sem a suspensão da ofensiva das forças ucranianas.

Representantes dos rebeldes não foram encontrados para comentar sobre as declarações de Putin deste domingo e o porta-voz de Poroshenko, Svyatoslav Tsegolko, disse não ter nada a comentar.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo.)