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26/08/2014 11:09 -03 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

Candidatos à Presidência querem evitar confrontos no 1º debate, mas pesquisa Ibope pode mudar o clima

Montagem/Estadão Conteúdo

No primeiro debate dos presidenciáveis nesta terça-feira (26) a noite, organizado pela Rede Bandeirantes, a expectativa é de que o clima seja conciliador. Tanto a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) quanto Aécio Neves (PSDB) não devem fazer fortes ataques à Marina Silva (PSB), recém-chegada na disputa eleitoral, após a morte de Eduardo Campos.

O resultado da pesquisa Ibope, previsto para ser divulgado às 18h, no entanto, pode mudar o clima horas antes do debate, marcado para 22h. Segundo notas publicadas pela Folha e pelo Estadão, levantamentos internos do PT mostrariam Marina Silva (PSB) à frente de Dilma em um eventual segundo turno. No primeiro turno, ela apareceria à frente de Aécio e oito pontos atrás da petista.

O coordenador financeiro da campanha de Marina, Márcio França, afirmou que o resultado será "avassalador" a favor da ex-senadora. Segundo ele, os números de pesquisas internas do PSB mostram a candidata como uma das favoritas, com destaque de votos na classe C, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo.

França atribui parte do fenômeno à morte de Eduardo Campos. "É como se as pessoas quisessem conhecê-lo (a Campos). Ficaram com saudade de uma coisa que não conheciam. Tudo isso, de certa forma, deságua na Marina", afirmou ao chegar ao debate promovido pelo SBT com candidatos ao governo de São Paulo na segunda-feira (25).

É como herdeira do legado do ex-governador que Marina se apresentará. A candidata deve manter a posição de terceira via na polarização entre PT e PSDB e a vontade por mudança na política. Devido à sua provável situação confortável na pesquisa de intenção de voto e a seu perfil, é improvável que a candidata faça fortes ataques a seus oponentes.

Estratégia petista

Se depender de Dilma, o clima não deve esquentar. A intenção da candidata à reeleição é evitar confronto direto com Marina nesta fase da campanha. A estratégia elaborada pelo comitê de campanha é adotar uma linha mais defensiva e esperar que Aécio Neves (PSDB), que corre o risco de ficar isolado em terceiro lugar nas pesquisas, seja o primeiro a atacar Marina.

Dilma quer fortalecer sua posição de gestora, por já estar no governo. A orientação dos assessores, de acordo com a Folha de S. Paulo, é apenas rebater as críticas, mas não partir para o ataque.

Antes do debate, Dilma se encontrará com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, nesta terça-feira (26). Ele já se demonstrou preocupado com a possibilidade de Marina conseguir votos dos eleitores descontentes com o atual governo. A crítica à Marina deve ser centrada na sua pouca experiência administrativa, além de seu radicalismo, que pode atrapalhar a governabilidade e sua resistência ao agronegócio.

Quanto à capacidade de gestão, Marina deve rebater mostrando as trajetórias de Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardozo, de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo. Lula nunca havia ocupado cargo administrativo antes de ser presidente, e FHC havia sido só ministro, assim como ela.

Tucano no ataque

Já a estratégia de Aécio Neves (PSDB), possível prejudicado após a entrada de Marina na disputa eleitoral, será pressionar as adversárias. O PSDB também acredita que a pesquisa Ibope trará Marina a frente de Aécio.

Dos três, o tucano é o candidato menos conhecido dos brasileiros, por isso, durante o debate, Aécio deve enfatizar sua trajetória, especialmente destacando os pontos positivos na gestão do governo de Minas Gerais. Sua experiência é uma dos pontos que deve usar contra Marina, a fim de mostrar que está mais preparado para assumir a Presidência do que a ex-senadora. Ele também busca mostrar que, se eleito, teria uma equipe mais consistente do que a de Marina para governar o Brasil.

Os ataques de Aécio devem ser endereçados à Dilma, de acordo com o Estadão. A tática já tem sido usada pelo candidato, especialmente na área econômica. Inflação alta, escassez de investimentos e baixo cresimento devem ser os pontos a serem explorados.

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